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Há horas assim

Livro em construção

Livro em construção

Há horas assim

26
Abr14

Nem sempre o que parece é

correspondente

Aqui fica um pequeno episódio passado, à noite, portanto, quando todos os gatos são pardos. Bom, como estava eu a dizer, aqui fica uma pequena história passada na antiga Escola Secundário da Damaia, agora denominada de D. João V.

Estamos em pleno Inverno, durante o dia inteiro caiu aquela chuva miudinha, mesmo agora, no começo da noite, a chuva parece não nos querer largar. Enfim, depois de um jantar apressado e, de uma breve caminhada, aí estou eu na escola. Cheguei cedo. Faltam ainda uns largos minutos para a primeira aula. De colegas meus, nem sinal. A chuva parou. A temperatura, ainda assim, está amena. O banco de pedra junto ao pavilhão convida a esperar, cá fora, sentado. Mas está molhado. Nada que a capa onde trago os meus preciosos apontamentos escolares não resolva. Pensado e feito. Sento-me em cima dela no dito banquinho. Que capa tão versátil. Pouco depois aproxima-se uma jovem. Esta olha para mim, olha para o banco e, senta-se na outra ponta do banco. E assim ficámos nós, a aguardar o “toque” de entrada, cada um de nós sentado numa das pontas do banco. Volta e meia ela olha para mim com um ar interrogador. Não ligo áquilo. Nisto de mulheres convém fingir desinteresse. O tempo vai passando. Chegam uns colegas meus e também algumas colegas dela. E naquele já conhecido banco, em cada uma das pontas, ali se formam dois grupinhos. Todos estão de pé menos nós os dois. Dá o toque para a entrada. Levanto-me e pego na minha capinha, até aí oculta debaixo de mim. Ela olha para o meu gesto e, finalmente fez-se luz. Fez-se luz para ela e depois do que lhe ouvi, para mim. Ela demora a levantar-se do banco e, perante a insistência das colegas, “rosna”:

- Não posso. Tenho as calças, atrás, no rabo todas molhadas! Vi aquele idiota aqui sentado e sentei-me também. Nem reparei que o banco estava encharcado!

17
Abr14

Encontro imediato

correspondente

Bom, estamos sentadinhos na nossa secretária, com um papelucho na mão, no “vai-não-vai”, para tirar uma fotocópia ao dito papel, a colega “jeitosa” da secretária em frente, não está visível, o movimento do restante “painel” de colegas representativo do sexo oposto é morno, não existe nenhum pretexto de vulto para ali continuar “estacionado”, por isso, vamos lá, esticar as pernas e passear o papelito até à fotocopiadora. Dito e feito, aí vamos nós, corredor fora, em pensamentos vagos, talvez meditando acerca dos porquês daquela manhã tão sensaborona e, de repente, ao passar junto à porta do gabinete do Patrão, esta se abre de repente e, zás. De lá de dentro, saiu, em passo de corrida, o dito cujo, o patrão. Provavelmente mortinho por ir “dar na cabeça” a alguém. Mas, escusava de levar tão à letra a “coisa”. Ou será que adivinhou, que este seu “criado”, naquela manhã, andava a fazer um pouco de “ronha”? É que, naquele preciso momento, levei uma tal cabeçada que, passados estes anos todos, ainda agora, ao me lembrar dessa “colisão”, parece que fico, de novo, a ver as estrelinhas dessa altura! Em boa verdade, a única coisa que me serviu de alguma consolação, foi, o facto, de estarmos ali os dois, patrão e subalterno, agarrados às respectivas cabeças, a ver tudo a andar à roda e, surgir, do nada, numa grande aflição, a secretária do Patrão e, perguntar-me: Então J, o que foi isso? Coitadinho, magoou-se? E, amparando-me, lá me levou até à cozinha, à procura de gelo, para acalmar o galo que eu tinha ganho nesse embate entre o Capital e o Proletariado. O patrão, esse, ficou ali, no corredor, meio abandonado, pela sua secretária, provavelmente, agarrado, também, ao seu galito adquirido, ainda há pouco, que agora, ali estava, a crescer e a emoldurar a sua testa!

09
Abr14

De cacilheiro para o casamento

correspondente

As sogras têm destas coisas, por vezes, são muito inoportunas. Temos um convite para um casamento, temos um automóvel de cinco lugares e, de repente, com a chegada da sogra, da mana, vinda de férias, da Holanda, passamos a ter seis pessoas, para ir a esse casório. A cerimónia religiosa é na Caparica e, a noiva sai da Trafaria, lá bem do alto, da quinta da Corvina. Da casa da noiva, o problema, já não se colocava, existiam lugares a mais noutras viaturas. O problema era chegar à Trafaria. Como bons portugueses que somos, a solução foi encontrada, assim em jeito de “desenrascanço”, dois de nós, no dia do casamento, pela manhã, iremos da Damaia até à Trafaria, de transportes públicos. Não, não me enganei, eram mesmo dois os sacrificados. Sim eu sei, bastava um, mas, por uma questão de solidariedade, pai e filho, abraçaram, de braços abertos, essa missão espinhosa.

E, em pleno Verão, creio, em Agosto, num daqueles dias em que, nem a noite, acalmou a “fornalha” daqueles últimos dias, de manhã, já com uns 20 e tal graus de temperatura, lá puseram os pés a caminho, lá se meteram no autocarro, rumo ao 1º transbordo, na Buraca, como eu ia dizendo, lá se meteram os dois engravatados e apeados convidados desse casamento. Aí e, no outro autocarro que apanharam rumo a Belém, numa manhã de um Sábado, a coisa, a figura dos dois patuscos de fatinho, já parecia um pouco bizarra, mas o cúmulo, foi, sem dúvida, a viagem de cacilheiro, de Belém até à Trafaria. Não sei se, nestes dias de “abundancia virtual”, nestes dias em que todo o “mundo” tem o seu bólide e dinheiro para sustentar o seu insaciável depósito de combustível, como estava a dizer, não sei se, como naqueles tempos, hoje, este barco, no Verão, aos fins-de-semana, ainda continua a ir cheio, assim tipo lata de sardinha, de veraneantes, que deste modo e, o restante percurso feito a pé, lá rumavam à Caparica? Hoje não sei se ainda é assim, o que sei, é que naquela altura, era mesmo assim, o cacilheiro, na Trafaria, à medida que ia “esvaziando”, até parecia que subia mais à tona. Agora imaginem a cena caricata, de dois “engomadinhos”, no meio de pranchas de surf, de toalhas de banho, de lancheiras, de “tijolos cantantes”, vulgarmente denominados de rádios e, de gente muito pouco ou nada vestida? É uma verdadeira lástima não existir uma foto para a posterioridade. Enfim, fica esta tosca foto escrita.

Só esta nota final, felizmente, o calvário acabou ali, pois, logo à saída do terminal fluvial, estava uma “boleia” salvadora à espera de pai e filho, que assim, evitaram uma subida a pé, ao Everest, ou mais propriamente, à Quinta da Corvina!

02
Abr14

Uma grande pescaria de coisa nenhuma

correspondente

São 21 horas e poucos minutos e, aí vão os dois lobos-do-mar rumo a uma pescaria em grande. Os pneus da sua carripana devoram o asfalto da Marginal, passam o Guincho e, um pouco depois, o olho clínico, de um deles, para as coisas da pesca, descobre o local ideal para iniciarem a faina. Imobilizam a viatura e, aos tropeções, pois, a luz fraca das suas lanternas, parece não os querer ajudar, contudo, de tropeção em tropeção, de palavrão em palavrão, lá acabam por chegar até esse “esplêndido” posto, junto ao mar, de canas em punho, prontas a retirar desse profundo Oceano, este mundo e o outro (no que diz respeito a peixe, claro está). De imediato, dão inicio aos morosos preparativos, necessários e habituais nas artes da pesca. Finalmente, colocados, com muito esmero, em cada cana-de-pesca, o isco, as boias e os chumbos (umas enormes pirâmides com muitas e muitas gramas), um dos pescadores, o portador de uma bela cana de bambu, de não sei quantos metros, incentivado pelos olhares curiosos de outros pescadores que por ali andavam, numa pose de verdadeiro artista, faz um lançamento. E que lançamento, um lançamento perfeito. Ambos os “artistas” ficam deslumbrados, a ver aquele fio de nylon a desenrolar-se e, a desenrolar-se cada vez mais do carreto (impressionante, como foi tão longe e tão profundo). No entanto, curioso, de repente, o fio acaba-se de desenrolar do carreto e, em grande velocidade, como um cometa, lá se foi juntar às minhocas, às boias e aos enormes chumbos, nas profundezas daquelas águas escuras. Alguém se tinha esquecido de atar a ponta do fio ao carreto! Perante os risos contidos dos espectadores, a pescaria dos dois “sócios” acabou pouco depois e, de balde vazio, a dar a dar, lá regressaram os dois, muito desgostosos por não terem pescado nem um carapauzito. Que lástima, pois, tirando este episódio (sem qualquer importância), tudo tinha sido preparado ao pormenor. Não sabiam se a maré estava a vazar ou a encher, não sabiam o tipo de isco a utilizar, nem tão pouco as espécies de peixe existentes naquela zona, nem qual a melhor forma de pescar por ali. Como se pode ver, não fica dúvida nenhuma, perante o enunciado, obviamente, de que estavam reunidas todas as condições para uma grande pescaria. Que grande azar!

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