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Há horas assim

Livro em construção

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Há horas assim

30
Dez14

Na “fita” errada

correspondente

Quem não se lembra de ver, nos filmes, volta e meia, uma mala, daquelas de executivo, cheia de maços de notas? Normalmente, maços de dólares norte-americanos, não fossem, a maioria dos filmes, provenientes também desse ponto do globo. A mala que entra nesta história, no seu interior, durante alguns anos, também transportou muitos e muitos maços de notas, não de dólares, mas de escudos. Passo a explicar o insólito meio de transporte, insólito ou talvez não, dado o exemplo corriqueiro das suas “gémeas” das ditas fitas.
Tive um colega que, numa comparação, no mínimo, grosseira, dizia que eu era como certos médicos, com determinada especialidade, médicos que trabalhavam com o que os outros se “divertiam”. Médicos à parte e “divertimentos” também à parte, eu era tesoureiro, trabalhava com dinheiro e, em tempos idos, numa firma já desaparecida, nos Armazéns Conde Barão, maços de notas de escudos emala, pelo menos, uma vez por dia, acompanhavam-me. Ou só nas idas ao banco, ou nas idas e vindas. Aquilo era feito de forma tão natural e sem nenhuma “manobra de diversão”, que provavelmente, por isso mesmo, nunca tive nenhum “problema”. Nunca tive nenhum tipo de “problema”, até aquele dia.
Um dia, numa tarde, vinha eu e a minha malinha (por acaso vazia), de um banco, já a meio da rua Fresca, rua onde eram os escritórios da firma, a pensar em ir beber um cafezinho na tasca do Silva, quando, do nada, passa por mim um tipo a correr, uns metros à minha frente detém-se e, oiço uma ordem atrás de mim:
- Quieto ou disparamos!
Sem pinga de sangue, aquela rua Fresca, de repente, fez jus ao nome e ficou gelada, pelo menos eu fiquei. Lentamente virei-me e, no meio da rua, estavam dois senhores de arma em punho. A minha vontade foi largar a malita e desatar a correr dali para fora. Mas, entretanto, um deles, com a mão, fazia-me sinal, não para lhe dar a mala, mas para me desviar da mira da sua pistolinha. De repente fez-se luz na minha cabeça desnorteada. Aquilo não era comigo. Era um “figurante” no filme errado. Eu só estava a atrapalhar. Estava entre um fugitivo e os seus perseguidores. De muito “mansinho” saí de cena. Os perseguidores (polícias) algemaram o fugitivo e meteram-no no carro que estava parado, de portas escancaradas, lá atrás, no início da rua, a atrapalhar o trânsito da rua do Poço dos Negros. Não me lembro bem, mas com toda a certeza, o cafezinho que eu vinha a pensar tomar passou a uma bebida bem mais forte!
E na realidade, aquela mala, cheia ou vazia, como se vê, nunca me causou qualquer transtorno!

08
Dez14

Escrevinhar, escrevinhar muito, escrevinhar quase até à exaustão!

correspondente

Há mais ou menos trinta anos, andava pelo Largo do Camões, pela Calçada do Combro e pelo Largo Conde Barão, um homem, que pelo aspecto (e pelo olfacto), se percebia não gostar muito de água. Era corpulento, o seu cabelo e a sua barba já não eram cortados há muito, muito tempo. Este aparentava ter uns cinquenta a sessenta anos, vestia um fato (ou os restos do que em tempos devia ter sido essa peça de vestuário) e, acima de tudo, era visível que a sua cabeça já não devia funcionar lá muito bem.
Mas, aquilo que me levou a recordar essa personagem, foi o facto de o sujeito passar a vida a escrevinhar numas folhas meio amarrotadas, que andavam sempre com ele. E Eu interrogava os meus botões: Que raio de coisas este andará a escrever para ali? Serão só uns rabiscos, ou umas coisas sem sentido nenhum ou até estará, naquelas folhas sujas e amachucadas, alguma coisa de jeito?
Lembrei-me deste episódio, quando há uns tempos, me senti a fazer o mesmo papel do suposto escritor anónimo, ou mais propriamente, de parvo.
Depois de ter sido recebido no meu novo e promissor “emprego”, após as apresentações da praxe e, finalmente, depois de me deixarem na sala onde iria trabalhar, mas sem grandes explicações, sem serem lá muito claros acerca do que pretendiam de mim, acerca do que eu iria fazer ali (quase que ia ficando para ali esquecido durante uma semana). Então, perante os olhares curiosos dos colegas, que não me viam a fazer nada e já desesperado e embaraçado com a situação, puxei de umas folhas e de uma caneta e toca a escrevinhar. Não sei bem o que escrevi, mas que foi abundante a prosa, lá isso foi!

Nota: Qualquer semelhança com a realidade é pura Realidade!

01
Dez14

A do candeeiro

correspondente

Na linha do tema do post anterior, de “abalos” causados por “surpreendentes” colegas de trabalho, aqui fica este novo e breve relato (que por acaso também tem a ver com um presente).
Numa manhã, lá no escritório, na recepção, num ajuntamento, as minhas colegas, na maior animação, estavam a dar os seus presentes de casamento a uma delas e, no meio de ofertas “sérias”, lá estavam algumas “malandrices, entre elas, um calendário com as mais variadas posições. Não sei se era assim mesmo, pois não o vi, mas disseram as “entendidas” colegas que a variedade era mesmo muita. Como eu ia dizendo, estavam elas a oferecer o dito calendário e, no entretém das sugestões, das quais eram mais “interessantes”, das que a nossa coleguinha “casadoira” devia “exercitar” na lua-de-mel, eis senão quando, uma delas, escortinando o calendário de alto a abaixo, declarou:
- Falta aí a do candeeiro!
Espanto geral! Qual? A do candeeiro? Algumas olhadelas ao calendário para confirmar a ausência notada pela “observadora” colega. Mas qual é a do candeeiro? Mas que raio de posição é essa? Quando a maior parte das “inocentes” colegas começa a “cair em si”, começa a admitir desconhecer tal posição, olham melhor para quem tinha feito tal observação e, de novo, espanto generalizado. A L.! A L., a mais pudica lá do escritório! Não é possível! No meio de sorrisos maliciosos (ou mesmo risos descarados), desatam a “bombardear” a ruborizada e de novo inocente colega, com perguntas, qual delas a pior, versando o tema (agora tão suculento):
- De como é que era mesmo a posição do candeeiro? Na qual, pelos vistos, a colega L. era uma entendida!

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