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Há horas assim

Livro em construção

Livro em construção

Há horas assim

27
Fev15

Belas interferências de comunicação

correspondente

Chefes, tive alguns e, quanto à sua competência, passe o enorme “desplante” de um subordinado avaliar o seu chefe, poucos se aproveitaram. Não foi o caso da “chefa” A. Esta era inteligente, competente e tinha de facto mais algum conhecimento que os seus subordinados, conhecimento que não guardava para si e que procurava transmitir aos seus dois mais directos (in) subordinados. E aqui é que estava a dificuldade, o busílis da coisa. Modéstia à parte, creio não ser estúpido de todo, nem eu o era, nem o X, o outro colega o era. Mas menos conversa e passemos à acção. Passemos a contar um episódio “ilustrativo” disso mesmo, das sérias dificuldades de comunicação, entre nós, entre a “chefa” e os seus “exemplares” colaboradores.
- J venha cá e peça ao X para vir também!
Pediu a “chefa” da porta do seu gabinete. Lá fomos os dois. Lá estivemos em reunião os três. Uma reunião aí de uma hora, hora e meia, ou até para aí de duas horas. Uma reunião de rotina. Uma reunião onde a “chefa” nos deu algumas ordens.
Saímos os dois do gabinete e eu, em jeito de “ralhete”, puxando os “galões” de chefe do dito X, disse:
- Então X? Era preciso isso, passares a reunião inteira a abrir a boca, a bocejar o tempo todo? A senhora deve ter ficado frustrada! Está para ali a falar e a ti só te dá para abrir a boca!
- Desculpa! É a tensão! Hoje tenho a minha tensão baixa!
Disse ele.
- Pois, pois! Já lhe ouvi chamar muita coisa!
Repliquei então eu.
O que eu não lhe disse é que a minha admiração de ele estar a abrir a boca, de aparentemente estar meio a dormir, na reunião, não era tanto, por não estar a prestar atenção ao que a nossa “chefa” nos estava a dizer, era mais a minha admiração, o meu espanto, o meu assombro de como era possível ele ser tão “imune” aos encantos da senhora, como era possível, perante aquela beldade, ele quase adormecer? Como podia aquele tipo ficar ensonado quando estava frente-a-frente com aquele “pedaço” de mulher? Incrível!
Claro, escusado será dizer, pelas razões afloradas anteriormente, que eu também não tinha estado lá muito atento na reunião, não tinha prestado muita atenção às ordens transmitidas por ela!
Que grande frustração que devia ser para ela, para a nossa “chefa”, ali, no seu gabinete, nas reuniões, Um subalterno quase que adormecia, Outro, sub-repticiamente (achava ele), media que media, aqueles belos, longos e lisos cabelos louros, aqueles olhos cor de mel, o decote se existisse, enfim, prestava atenção a tudo o que podia e menos ao que devia!

25
Fev15

Quinta Grande

correspondente

… Hoje, da janela dessa mesma casa vê-se mais prédios e, até há pouco tempo (antes desses novos prédios) via-se também o IC 19. Nessa altura, na época dessa “vista” para o IC 19, embora não se pudesse ver porque estava para lá desse mesmo itinerário, também ali já estava e permanece, a zona industrial de Alfragide, bem como a urbanização da Quinta Grande, exactamente no local onde existia de facto na altura uma verdadeira quinta. Com efeito, a praceta aonde vivi, e todas as outras, acima e abaixo, da minha terminavam os seus arruamentos no “campo” que era constituído em parte por terras abandonadas entremeadas aqui e ali, por outras ainda cultivadas. Um pouco mais afastada lá estava a quinta grande com paredes e muros cor-de-rosa velho ou cor de tijolo, nessa altura já em declínio.

13
Fev15

As Traseiras e …

correspondente

Nota: Como é que não me lembrei disto há mais tempo? Em vez de perder tempo a “divulgar” às pinguinhas, estilo telenovela, no facebook, apenas para um grupo restrito de supostos amigos, a minha obra-prima literária, porque não, fazer o mesmo, mas num blogue, para um público mais aberto, não necessariamente mais vasto? E porque não aqui? Porque não apresentar algo já acabado, pelo meio, de algo em construção? Dito e feito!

Capítulo I

Praceta de cima, as traseiras e a praceta de baixo

 

Longe vão os tempos em que, desde muito pequenos, convivíamos uns com os outros, não dentro de quatro paredes, dentro de casa, através de SMS e coisas do género, mas pura e simplesmente na rua. Há cerca de 35 a 40 anos apesar de viver num dos chamados “dormitórios” de Lisboa, a Damaia, e embora esta já pudesse ser considerada como uma zona de cariz urbano, o local aonde estava situada a casa dos meus pais seria, mais ou menos, a fronteira entre essa zona de prédios e o que restava da herança rural dessa terra.


 

09
Fev15

Festinha para adultos

correspondente

Naquela manhã, naquela casa, naquele T0, desde muito cedo andava no ar o nervoso-miudinho. A dona da casa fazia anos e, para mais tarde, para o lanche, tinha convidados. Eram apenas alguns amigos chegados. Mas os 10 ou 12 convidados, mesmo assim, eram uma dor de cabeça. Onde iam caber ali todos? Fez-se um “simulacro”. Mesa para o meio da cozinha, “asas” abertas, cadeiras e bancos dispostos em volta e, parece que cabem todos, parece que nenhum vai ter que ficar lá fora, na escada do prédio.
A manhã passa-se. A hora combinada aproxima-se. Uma boa notícia para a “organização do evento”, uma desistência de última hora, um dos casais não vai puder vir, logo, a hipótese avançada meio a brincar meio a sério, a hipótese da escada, definitivamente fica afastada, há mais espaço.
Os convidados vão chegando. Vão se acomodando. O gato foge para o ponto mais ocidental da casa. A mesa fica mais composta, mais enriquecida com a comidinha, com a bebida e os bolinhos, que estes trouxeram. A festa está o máximo. Está no auge. E de repente, a única criança presente, a X, aí com uns 5 anitos, com o seu ar mais inocente, assim do nada, pergunta:
- Quando é que começa a festa?
Que balde de água fria!

07
Fev15

Aquela lata com design de carruagem das sardinhas da linha de Sintra de outrora

correspondente

Naqueles tempos era assim, na linha de Sintra, os comboios da CP, fazendo-se uma “marosca”, “puxando o ar”, acionando um mecanismo, supostamente só para usar em casos de emergência, rolavam a “todo o vapor”, entre estações, de portas abertas. Tinha que ser. Pelo menos nas ditas horas de ponta. Sempre levavam, nos degraus, sim, nessa altura tinham degraus, mais alguns passageiros, ali, na terra de ninguém, meio dependurados, entre a porta e os carris.
Eu era um desses, desses “empoleirados” passageiros, que na Damaia, de manhã, com destino ao Rossio (também não havia outro), tinha-mos o nosso “lugar o marcado”, não lá dentro, nos assentos, mas no “degrauzito” do costume. E mesmo assim, tinha que ser nos da Amadora, nos comboios que iniciavam aí, porque nos outros, nos que vinham de mais longe, era para esquecer, até esses “lugares” vinham lotados.
Ao final do dia, no regresso, no Rossio, apertados como a dita sardinha, vínhamos na mesma, no entanto, como os comboios saíam todos dali, com intervalos entre si, mais ou menos, curtos, dava para escolher o menos cheio e, portanto, por norma, as portas vinham fechadas.
Nesse dia, eu e X, um colega lá do trabalho, estávamos “ligeiramente” atrasados e, a culpa, com toda a certeza, tinha sido das duas meninas, empregadas numa pastelaria, lá para os lados do escritório, lá para o poço dos negros, que nos andavam aturar, davam-nos conversa, se calhar incentivadas pelo patrão, assim os grandes “papalvos”, no final do dia, ainda iam por ali consumir mais alguma coisinha. Ora, nesse dia, já muito atrasados, na estação, nem deu para escolher, vamos mesmo naquele que está quase a sair. Corre que corre, pois ele já apitou e, num pulo, estamos lá dentro. Foi mesmo a tempo. Nas nossas costas, as portas, fecharam-se. Subi os dois degraus e, muito a custo, aperta daqui, aperta dali, lá arranjei um espacinho para mim. O X, lá debaixo, dos degraus, ia “trocando umas impressões” comigo, mas não havia meio de fazer o mesmo que eu, de subir para ali, para o meio da “molhada”, até que eu lhe perguntei:
- Porque é que não sobes? Ainda há lugar para mais um!
- Não posso! Fiquei com uma das pernas entaladas na porta!
Respondeu ele baixinho.
Olhei para o tal “manípulo” do ar, tentei puxá-lo e, nada, nem se mexeu. Tentaram outros e, nada de nada. Por vezes Existiam uns assim. Não funcionavam. Era o caso daquele. Tinha saído a fava naquele dia ao X. Fez a viagem inteira no túnel assim, naquela posição, mais ou menos, “de pé-coxinho”. Naqueles tempos eram uns 5 minutos pela certa.
O que lhe valeu é que aquele comboio parava já na próxima estação, em Campolide e, para aquela “curta” viagem, entre o Rossio e Campolide, pelo menos, a coisa não foi assim aparentemente muito dolorosa, pois, as duas portas, não se tocavam por completo, provavelmente já a pensar nisto, terminavam, não em aço, mas sim, em borracha, deixavam ali, um intervalo, ume espacinho mais “aconchegado”, sem nenhuma dúvida, um espaço à medida para quem “gostava” de viajar no comboio de perna entalada nas portas!

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