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Há horas assim

Livro em construção

Livro em construção

Há horas assim

26
Mar15

A Pedra

correspondente

… Bom, voltemos às “lutas” com o meio físico começando pela “Pedra”, que verdadeiramente - peço desculpa à pedra - não tem história nenhuma, como aliás irão verificar os pacientes leitores. Era uma pedra “enorme” que hoje, mal me daria pelo joelho, cinzenta e com o feitio de uma bola cortada ao meio que originalmente estava situada mais ou menos em frente à minha porta. Hoje, não sei se ainda anda por lá, mas nesse tempo a “desgraçada” parecia estar sempre no local errado. Passo a explicar: Naqueles momentos em que por falta de imaginação ficávamos a olhar uns para os outros, lá íamos nós “embirrar” com ela… começámos por achar que havia algo oculto por debaixo dela, uma entrada para um subterrâneo ou qualquer coisa do género, como tínhamos visto numa história aos quadradinhos. Então, cheios de energia lançávamos mãos à obra, mas após muito labutar, que desilusão! Por debaixo dela apenas havia terra e alguma minhoca perdida ou um aranhiço fugidio! Talvez devido a essa partida inicial que a pedra nos pregou, não lhe perdoámos mais e para ali ficou deitada de lado. E ela, talvez por vingança, durante muito tempo parecia estar sempre entre nós e os nossos “projectos de melhoramento” dos nossos “domínios”. Portanto, apesar de a tarefa ser sempre árdua, é difícil dizer quantas vezes a “Pedra” mudou de sítio!
Continuaremos, no próximo capítulo, para mal dos nossos leitores, a falar de pedras e coisas assim, sem qualquer importância.

20
Mar15

Falso Alarme

correspondente

Era mais um dia de trabalho, naqueles escritórios instalados num prédio de uma das mais movimentadas avenidas da cidade.
Lá pelo meio-dia havia de vir o tempo da pausa para um belo de um almocinho.
Mas a meio da manhã, o alarme do incêndio soou insistente.
Com medo do “fogo”, galgámos todos, os vários lanços de escadas e viemos para o passeio no meio da dita avenida.
Assustados, olhávamos para o prédio, a ver se conseguíamos descobrir de onde vinha o fogo.
E, de repente, vimos as duas cozinheiras na varanda do último andar.
Coitadas, pensámos, não conseguiram sair…
As cozinheiras gesticulavam e gritavam, pareciam aflitas.
Com tantos gestos e gritos, finalmente alguém percebeu. Tudo não passava de um falso alarme e a culpa tinha sido do almoço, umas belas de umas costeletas grelhadas!

De: Mafarrica do Milharado

 

11
Mar15

Os outros

correspondente

… Neste capítulo começo pelas “lutas”, não entre nós, mas entre nós e a geografia desse “território”. Contudo, antes, e passados todos estes anos aproveito a oportunidade para aqui deixar umas palavras de “solidariedade” aos nossos “inimigos, que tentavam a todo o custo “ocupar” os nossos “domínios” já que os seus, muito mais diminutos, se resumiam a passeios estreitos e ou a estradas que embora sem saída tinham sempre carros estacionados e alguma circulação. Apenas devo explicar também que no início, entre os nossos 7, 8 e 9 anos não nos aventurávamos muito para lá deste vasto espaço, denominado de “traseiras” porque, logo ali no limiar do “campo”, vivia uma ou duas famílias de ciganos com quem mais tarde nos viemos a dar, principalmente com os filhos. Mas, nessa altura, não avançávamos muito.

08
Mar15

Praceta Luís Verney ou …

correspondente

Capítulo II
As traseiras

Abro aqui as hostilidades, ou seja, a partir deste momento irei contar pequenos episódios passados nesta altura seguindo mais ou menos, um fio condutor cronológico. Mas, desde já apelo à paciência dos eventuais leitores pois esta minha cabeça já não é o que era. Assim, à medida que me surgirem histórias intercaladas, aqui as colocarei logo de seguida à última narrativa.
As traseiras eram o nosso diminuto “território”, um espaço rodeado de prédios com excepção de um dos topos desse rectângulo de terreno que dava para o misterioso “mundo rural”. Na verdade os prédios faziam um U no meio do qual se situava a já mencionada escola e no meio dos prédios do topo contrário existiam uns arcos que permitiam o acesso às traseiras de quem vinha do “mundo civilizado”. Nós, os privilegiados “donos” desses “vastos” domínios, acedíamos a ele de forma diferente pois as nossas casas na sua maioria situavam-se nas caves dos prédios e quase todas tinham uma 2ª porta que dava para as traseiras e que ficava já ao nível de um Rés-do-chão. Aqueles que não tinham porta, “mestres do desenrascanço”, tinham construído escadas em cimento até às janelas das cozinhas fazendo a serventia da casa, na maior parte das vezes, por esse lado.

 

05
Mar15

Que queridos sobrinhos

correspondente

A sobrinha aí com 4 ou 5 anos faz hoje anos. Vai ter uma festa de aniversário no espaço que o pai tem como negócio para esse efeito. Um espaço para festas de miúdos. Espaço onde a tia costuma dar uma mão aos fins-de-semana.
Umas horas antes da festinha, num almoço de família, pergunta a sobrinha à sua a tia:
- Vais à minha festa, não vais tia?
- Isso é um convite oficial para ir à tua festa?
Perguntou a tia toda enternecida com aquela preocupação da menina.
- Não. Só queria saber se estavas lá hoje a trabalhar. Assim o meu pai não tinha que trabalhar tanto na minha festa.

O sobrinho, aí de uns 7 a 8 anos, pergunta à tia se pode ir com ele e com a mãe até à casa deles.
- Posso. Mas para quê?
Perguntou a tia toda curiosa.
- Precisava de ajuda nos trabalhos de casa.
Respondeu ele.
- Mas se calhar eu não sou a melhor ajuda para isso.
Disse a tia admirada com o pedido. Admirada mas contente com a preferência do sobrinho entre ela e a mãe dele.
- A minha mãe ajuda. Tu lavas a loiça e assim a minha mãe tem mais tempo para me ajudar.
Respondeu o querido sobrinho.

04
Mar15

O território dos putos

correspondente

… A estas paisagens “Campestres” prometemos voltar, mas agora cumpre aqui explicar as denominações de “praceta de cima, as traseiras e a praceta de baixo”. A “coisa” é simples de explicar, se é que tem alguma lógica: Existiam os “putos” que moravam na mesma praceta que eu, mas cujas casas não tinham acesso directo às traseiras de uma das correntezas de prédios da referida praceta e que por isso andavam algures fora dos nossos “domínios”. Por outro lado havia os da praceta de baixo com o mesmo contratempo: a falta de acesso directo a esse “território”. Por último, mas sempre em “primeiro”, existíamos nós, os “donos” desse espaço que, no meio, era ocupado por uma escola particular constituída por um pavilhão e respectivo “recreio” vedados por uma rede muito pouco inviolável. Pouco mais sobrava entre os prédios e esse colégio, com excepção do lado das traseiras ainda livre de prédios e por onde tínhamos acesso ao que restava do “mundo rural”. Estas “fronteiras” administrativas serviam, muitas vezes, como pretexto de lutas “terríveis” entre nós e os de um lado e os de outro originando alianças umas vezes com os de cima outras com os de baixo e, só quando o “rei fazia anos” o “machado de guerra” era enterrado e durante curtos espaços de tempo a paz reinava entre estas tribos.

03
Mar15

Toiros na Damaia

correspondente

… Uma quinta que apesar do seu declínio, era um espaço onde ainda se via entre a “bicharada” típica dessas áreas rurais, também um ou dois toiros bravos, daqueles que infelizmente se podem ver nas toiradas. Abrimos aqui uns parênteses apenas para dizer, infelizmente sim, porque estes animais não deviam ser sujeitos a algumas das práticas desses espectáculos. Aos fins-de-semana esse “campo” servia como local de passeio para os habitantes “urbanos” da freguesia. Havia mesmo um ribeiro (ou ribeira) com as suas rãs e tudo o mais que vinha terminar numa das pracetas dentro de um túnel construído para que os prédios pudessem avançar na sua marcha “invasora” por cima desse curso de água.

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