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Há horas assim

Livro em construção

Livro em construção

Há horas assim

28
Jul15

A caixa, a escada e a vizinha

correspondente

Num destes dias, cheguei a casa e, pouco depois de entrar, tive uma desagradável surpresa, constatei que o meu velhinho frigorífico tinha aproveitado a minha ausência para o seu “passamento”. Encomendei outro. Entreguei o seu “corpo” a um “cangalheiro” da especialidade e, num Sábado, pelas 8 da manhã, estava a receber o seu substituto. Um dos funcionários que trouxe o frigorífico, depois de o colocar no sítio e de me dar algumas explicações da praxe disse:
- Fica ali fora, na escada, encostada um canto, para não incomodar ninguém, a caixa dele. Depois de o ligar e de se certificar que está a funcionar bem, lá para a noite já poderá deitar fora a caixa.
- Ok.
Disse eu e “adeusinho” que ainda tinha o pequeno-almoço a meio.
Mal sabia o bom funcionário a confusão que me ia arranjar com aquela caixa.
Estava com a chávena do café na mão, a meio, quase a chegar à boca, nisto, toca o telefone. Era a minha vizinha do lado.
- Senhor X está em casa? Pensei que não estivesse. Já viu que lhe deixaram o frigorífico na escada?
- Não, não é o frigorífico, é só a caixa, mas muito obrigado pelo cuidado dona Y!
Disse eu e lá expliquei porque é que a caixa tinha ficado na escada.
Nesse dia não levei a caixa dali para fora. Eram já quase 11 da noite e ainda não tinha percebido se estava tudo bem com o novo frigorífico.
No dia seguinte, pelas 9 e tal da manhã, depois de ver que o frigorífico funcionava “muito bem obrigada”, quando me preparava para ir deitar a caixa no lixo, toca o telefone:
- Sou eu, senhor X, a Y, já me fartei de rir sozinha, não é que há pouco, veio da rua o meu marido e me disse que afinal a caixa estava vazia e que a tinha levado para o lixo!
- Ora ainda bem dona Y. Eu ia agora mesmo fazer isso.
Disse eu, interrompendo a sua narrativa e, satisfeito por ter, aquela caixa, aquela caixa que supostamente não ia incomodar ninguém, finalmente fora da escada.
Mas entretanto foi a vez de a vizinha me interromper.
- Pois mas aí é que está a graça. Eu Disse-lhe para ir imediatamente buscar a caixa ao lixo. Que a caixa não era para deitar fora já! “Dei-lhe na cabeça”, perguntei-lhe: - “mas porque é que fazes sempre o que não te pedem e não fazes o que te pedem?” Por isso agora não lhe posso dizer nada, não posso pedir-lhe para ir lá pôr outra vez a caixa!
- Não faz mal, dona Y, obrigado na mesma, eu vou entretanto deitá-la fora.
- Não, não, espere mais umas horas, está bem senhor X? Para ele não ficar “danado” comigo.
- Tudo bem. Nem eu nem a caixa queremos ser causa de brigas domésticas!
Respondi eu, definitivamente conformado, não havia nada a fazer, aquela caixa tinha tirado o fim-de-semana para “amolar” a minha cabeça!

23
Jul15

Bolo de Aniversário - Para crianças dos 8 aos 80

correspondente

O meu marido fez anos por estes dias e eu não soube o que lhe oferecer. Ele gosta mesmo é de comprar ferramentas e esse tipo de coisas, eu não sei comprar.
Foi então que me lembrei de encomendar um bolo de aniversário na Pastelaria. Geralmente os bolos de aniversário são feitos em casa e ultimamente, tem sido o meu marido a fazê-los…
Como queria mesmo um bolo diferente dos que fazemos em casa e que tivesse tudo a ver com o meu marido, pedi para porem algo mais elaborado e que o surpreendesse. Não estava à espera é que surpreendesse também o empregado.
No dia de aniversário, quem foi buscar o bolo foi o meu marido, que não fazia ideia como é que este era.
Quando foi para o levantar, tudo parecia bater certo, até ao momento em que o empregado abriu a caixa. Muito surpreendido e desconfiado, este perguntou ao meu marido: “Este bolo é mesmo para si?””É.”, respondeu o meu marido. “Então deve ter sido trocado. Já aconteceu uma outra vez.” Disse o empregado já muito preocupado e mostrou-lhe o bolo. “Está a ver? É que este tem um boneco do Bob, o construtor, que é para crianças!”
O meu marido confirmou se o nome de quem tinha encomendado coincidia com o meu e mais conformado do que surpreendido, disse: “Não se preocupe, é mesmo para mim.”

De: Mafarrica do Milharado

10
Jul15

Os porquinhos da cidade vão ao Campo

correspondente

… Também, naquela altura, não sei bem porquê, a água nas torneiras estava constantemente a faltar e era ver o “citadino” “arregimentar” a família toda lá de casa, distribuir garrafões por todos e toca a ir ali ao lado, ao “campo”, esperar pacientemente a sua vez na longa fila para depois pedir a quem continuava a ter a sua fresquinha água do poço se podia fazer o especial favor de encher aquela meia dúzia de garrafões. Com o tempo e os persistentes cortes no abastecimento o processo evoluiu bastante e os engenhosos e sequiosos “citadinos” de muitas mangueiras fizeram uma só e esta nas horas (e dias) de torneiras sem pinga de água ali vinha através dos campos. E assim o meio rústico lá “matava” a sede e dava umas “banhocas” aos civilizados e urbanos vizinhos.

08
Jul15

Moedinha nº 1

correspondente

… Uma outra forma de este “mundo campestre” nos entrar portas adentro, mas desta vez com a nossa pequena contribuição, era quando no dia da espiga as nossas professoras nos levavam a dar uma volta pelas redondezas da escola. De facto não era preciso ir muito longe para encontrar os “ingredientes” necessários para fazermos o nosso próprio raminho invocativo desse dia: Tínhamos as oliveiras, as papoilas, os malmequeres e outras flores do campo, se é que se apanhava mais alguma variedade pois nestas coisas de “florezinhas” não sou muito entendido. Apenas a própria espiga de trigo, nos dava um pouco mais de trabalho, mas lá se encontrava dando como bons os conhecimentos rurais das senhoras professoras. No entanto, tenho para mim que devo ter levado para casa, muitas das vezes, tudo menos espigas de trigo. Acrescento ainda que hoje percebo a razão pela qual os meus pais nunca passaram da cepa torta: É que a moedinha de um escudo que lá se punha, para dar sorte, prosperidade, acabava por não ficar naquele raminho durante muito tempo… Por vezes a coisa até se tornava extraordinariamente lucrativa, pois não é que não se sabendo onde é que tinha ido parar a primeira moeda alguém lá ia pôr outra!? Não me lembro, verdadeiramente qual o destino que lhes dava, mas sempre deviam dar para trocar na “taberna” por uma pastilha, um rebuçado ou outra qualquer guloseima.

 

02
Jul15

Caldas da Rainha – Amigos, “Comes e Bebes”

correspondente

De há uns tempos para cá, são várias as circunstâncias que me trazem à memória, bons momentos passados nas Caldas da Rainha, junto de verdadeiros amigos e muitas vezes, à volta de “comes e bebes”.
E, por muitas voltas que dê, a ideia é sempre a mesma. Conviver é sempre agradável; conviver à volta de uma “mesa”, é ainda mais agradável!
E se essa “mesa” estiver recheada de um bom repasto, então é “ouro sobre azul”.
Lembro-me logo de numa primeira visita a Caldas, esses meus amigos me terem desviado para uma espécie de bar, onde um dos “pontos altos”, era saborear uma chouriça preta assada (certamente acompanhada de um bom vinho).
Para além do convívio muito, muito agradável (a maior parte dos presentes não me conhecia e trataram-me como se fôssemos amigos desde sempre), esse petisco tornou-se inesquecível.
Lembro-me também de logo nos primeiros dias ter decorrido a “Festa do Sal” em Rio Maior, com muita comida e muita bebida e desses mesmos amigos me terem levado lá, é claro! Nessa altura pregaram até uma partida a uma das presentes, pedindo-lhe para fazer uma pose muito séria para uma fotografia, quando a ideia era apanharem também a senhora do lado, com um grande pedaço de frango a sair da boca.
Nessa altura, tive a oportunidade de provar o sal das salinas, mesmo ali nas salinas de Rio Maior.
É claro que para além dos “comes”, os “bebes” também eram importantes e então acho que não houve bar nenhum que os amigos não me tivessem levado, para eu provar as diferentes bebidas.
Mas o preferido, era mesmo em Caldas – “O Daiquiri”, onde à volta de uma pequena mesa se saboreavam as bebidas (sem exageros) e se jogava o “Trivial Pursuit”, mas com gestos.
Com o passar do tempo e ainda durante uns anos, ir a Caldas, passar uns dias, um fim-de-semana ou o fim-de-ano, tornou-se um hábito para mim.
E, então vêm-me à memória cenas interessantíssimas (algumas até hilariantes), como um simples fondue de peixe, saboreado durante várias horas, numa simples mesa de cozinha, à janela, mas com uma aura especial, a da amizade (que ainda hoje nos une, passados mais de vinte anos).
Ou aquela, em que na falta de mesa de jantar, puseram-se a toalha, os pratos, os talheres, os guardanapos directamente no chão e saboreou-se uma bela de uma ceia, como se estivéssemos na mesa mais requintada!
Lembro-me também das saladas de frutas do meu Colega e Amigo, quase com a fruta inteira, porque ele achava que se os pedaços fossem muito pequenos, a fruta deixava de ter sabor. Ou da critica que ele fazia às mulheres, porque enchiam demasiado as panelas com água, para cozinharem alguma coisa.
Isto sem esquecer aquele dia passado em Óbidos, com mais três amigos. Levávamos um saco grande tão cheio de sandes que dava para alimentar um Regimento. Mas o que é certo é que se comeram todas.
Dos “bebes” e sem álcool, ainda foi em Caldas que descobri a groselha com gasosa. Nunca tinha bebido antes e adorei. Aproveitei e “importei” a ideia para a zona de Mafra. Foi um sucesso!
Mas a “cereja no topo do bolo”, foi sem dúvidas, daquela vez em que uma das convivas, num fim-de-ano, levou um panelão cheio de “Coq au Vin” (receita de galo cozinhado com vinho tinto).
Este serviu para o jantar, pequeno-almoço do outro dia e de cada vez que alguém perguntava o que se ia comer na próxima refeição, a resposta era: “Coq au Vin”.
Confesso que apesar do “Coq au Vin” daquelas refeições estar muito bom, até hoje não me apeteceu voltar a comer “Coq au Vin”. E, já lá vão para mais de quinze anos!

(crónica publicada no “Jornal dos Sabores”

De: Mafarrica do Milharado

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