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Há horas assim

Livro em construção

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Há horas assim

30
Jul16

Conversas (in) consequentes de café

correspondente

Dois estudantes, colegas de curso, naquelas alturas em que estavam sentados à mesa do café, cada um com a sua caneca de cerveja bem cheia à sua frente, ao lado de outras já vazias, enquanto as aulas a que deviam estar a assistir iam decorrendo, eles “versejavam” de tudo e mais alguma coisa. Tinham pontos de vista semelhantes. Um criticava algo e o outro dizia amém e vice-versa. E então, a faculdade, o curso, os professores, eram os alvos prediletos. Us colegas e as colegas, destes dois, também não escapavam. Era uma autêntica sintonia de opiniões, negativas, claro, as destes dois. Dentro dos colegas e das colegas, uma coleguinha, em especial, a X, então, coitada, era a preferida das críticas “acutilantes” dos dois compinchas.

Uns anos mais tarde, um deles recebeu um telefonema, era do outro. Queria saber do colega, do amigo, do compincha, queria convidá-lo para se encontrarem, para beberem alguma coisa, como nos bons velhos tempos, aqueles idos, os de estudante:

- Queres aproveitar a ocasião e vens passar um fim-de-semana comigo e com a minha esposa, cá abaixo, ao reino dos Algarves? Lembras-te de X, daquela nossa colega? Acabei por casar com ela!

Mal refeito da notícia, ainda assombrado, pergunta o outro, a querer desviar o curso da conversa, meio a brincar meio a sério:

- Mas o que é que estás a fazer aí para baixo? Não me digas que concluíste o curso e, estás por esse “reino” a exercer a tua profissão?

- É verdade! Lá acabámos aquilo, nós os dois, eu e a X e, encontrámos aqui emprego! E tu, o que andas a fazer?

Nada. Poderia ter sido a resposta deste colega de mesa de café. Deste colega que não passou do 1º ou do 2º ano do curso. Do curso que tanto disseram mal. Quanto à colega X, não sei se este também teria um fraquinho por ela, mal disfarçado, mas, claro, na impossibilidade da divisão do corpo e da alma, em suma do ser, sem graves consequências da integridade física da mesma, esta só poderia ter casado com um deles! 

16
Jul16

O pastelinho de bacalhau

correspondente

Numa “estadia” no hospital nem tudo é mau, claro, nem tudo é assim tão mau, principalmente se nos sentirmos melhor gradualmente. Começamos a ligar a pequenas coisas, a ter vontade de rir de novo daqueles pequenos nadas que nos acontecem no dia-a-dia, que até aí, nessa estadia, não conseguíamos reparar, tal era a dor, a preocupação, provocadas pelo nosso estado de saúde.

Um quarto de hospital, creio que apenas nos públicos, não é individual. A divisão do espaço com outros doentes, por um lado pode ser vista como algo negativo, tendo em conta a nossa privacidade, mas por outro lado, dependendo dos companheiros desse infortúnio, também poderá ajudar a aliviar essa estadia forçada. O mais difícil de “gerir” emocionalmente, enquanto vamos vendo o tempo a passar e nós a ficarmos, são as altas ou as transferências desses parceiros de quarto.

Numa manhã, desses 30 dias de estadia, um companheiro de quarto que ia ser transferido nesse dia para outro hospital, para um privado, entretido nas suas arrumações, no esvaziar do armário e, sem dúvida com o duplo intuito, por um lado de levar o menos possível, mas por outro lado também o de “apaziguar” o apetite devorador, que sabe-se lá porquê, tinha ultimamente “atacado” este seu companheiro de quarto, chamou-me e deu-me uns pastelinhos de bacalhau que alguém lhe tinha trazido no dia anterior.

Ainda nessa manhã, chegaram os bombeiros e, lá foi o amigo para outra unidade, para o privado, para um hotel de luxo, como nós, os outros colegas de quarto, cheios de inveja, assim o apelidámos.

Nessa tarde, nós, os restantes companheiros de quarto, sem nada para fazer, depois de muita especulação, por exemplo, que pitéu teria sido servido ao almoço a esse felizardo traidor, alguém, não resistindo à curiosidade, ligou-lhe:

- Então N está tudo bem? Esse quarto, um luxo, não? WC com torneiras de ouro, não? E as enfermeiras, de minissaia, de decotes generosos e, pelo menos umas 10 de roda de ti, não? E o almoço, bife do lombo, não?

- Foi Uns pastelinhos de bacalhau com arroz.

Respondeu o felizardo.

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