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Há horas assim

Livro em construção

Livro em construção

Há horas assim

19
Set16

Uma vez papá, sempre papá

correspondente

Num emprego, se somos daqueles que vão fazendo parte da mobília (e mesmo assim, comparação apenas aplicável onde a mobília não é substituída de tempos a tempos), que é como quem diz, os colegas vão mudando e nós vamos ficando, é natural os grupos irem sofrendo “mutações”. Era o caso daquele grupo de colegas que habitualmente almoçavam juntos, naquela altura eram aqueles quatro, mas uns anos antes o grupo era outro e, uns anos depois, também já não era o mesmo. Pelo exposto lá atrás, fiz parte do anterior, deste e do seguinte, ou até mesmo dos seguintes. Bom, mas este, o que interessa para aqui, era composto, por norma, apenas por quatro homens (dada a ausência do sexo oposto, portanto, um grupo muito sem graça). Dois sem filhos e dois com filhos, mais propriamente, filhas. Um deles com duas, mas a sua dor de cabeça, claro, era a mais velha, agora a estudar na faculdade e acabadinha de sair de casa dos pais. O outro tinha uma, ainda mais velha que a do anterior, aí uma trintona, solteira e “boa rapariga”, também a viver fora da casa do papá. Tanto uma situação como a outra, a saída da casa dos pais, devia ser muito “fresquinha”.

Um dia, depois de termos almoçado, por ali, pelas imediações do escritório, daí a dispensa de automóvel, vínhamos, rua abaixo, os quatro e, um dos papás olhou para o outro lado da rua e disse, afastando-se e atravessando a rua:

- Vou ali ao multibanco. Podem ir andando. Já os apanho.

E o que poderia ser uma quebra na nossa rotina, na verdade, dali em diante, passou a fazer parte da mesma. Primeiro alternadamente, ou ia um papá ou ia o outro, volta e meia, antes ou depois do almoço, até junto de uma caixa multibanco e, com o tempo, perderam de todo a vergonha e, lá iam os dois juntos. A coisa era de tal modo que, nós, os outros dois, os não papás, ao passarmos por uma caixa multibanco, se eles não manifestavam intenção de ir até ela, nós, rapidamente, lhes dizíamos que ali estava uma caixinha.

E o que iam fazer os papás até à caixa multibanco, assim, tão assiduamente? Simples. Carregar os telemóveis das filhinhas. Coitadas. Não têm dado notícias. Não devem ter saldo.

Creio que depois de telemóveis carregados, os telefonemas para os papás, não aconteciam, ou eram, pelo menos, escassos na mesma, mas enfim, estava feita a romaria de papás, preocupados com as filhas crescidinhas, até à caixa multibanco mais próxima deles!

18
Set16

Quem não tem cão caça com gato

correspondente

O miúdo de cidade, aquele que acha que o dinheiro dos pais vem da caixa do multibanco, que acha que o fiambre vem do supermercado mais próximo e, quando vê ao vivo uma cabra, a confunde com um animal selvagem, daqueles mal vislumbrados num ecrã de TV, lá em casa, num qualquer programa emitido, entre os desenhos-animados, deve, volta e meia, não podendo ir mesmo até ao campo, passar por essas quintas, na cidade, preparadas precisamente com esse propósito, o de dar a conhecer as origens das coisas, mais propriamente, neste caso, dos alimentos, bem como, o contacto com a terra e com os animais. Contudo, a natureza é muito imprevisível, nem tudo o que dela mostramos, é o que queremos mostrar.

Um certo dia, numa dessas quintas, onde estagiei, estava eu em frente ao computador, no escritório, num dos raros momentos em que não andava lá por fora, quando uma das “colegas”, uma das colegas que mostra, que acompanha as visitas dos miúdos àquele espaço, entra ali, a rir, depois de se despedir de mais um grupo que acompanhou.

- Nem imaginam o que aconteceu, agora mesmo, quase no final da visita, que embaraço!

Disse ela.

- Deve ser “fresca deve”! Tu e esse riso maroto não enganam ninguém!

Respondeu a X, a minha “parceira”, ali daquele espaço no escritório.

- Vá lá, conta-nos tudo, ao J e a mim

Pediu ela.

E entre risos, ela, a colega que tinha acabado de entrar, lá nos contou aquele episódio, menos próprio para menores.

Ela tinha acabado de mostrar o lago e os patos, ia continuar a mostrar a quinta, já estava de costas para o lago, quando, um miúdo, muito excitado, a apontar, lhe pergunta:

- O que é que o pato preto está a fazer?

- Pato preto? Nem temos nenhum pato preto por aqui! Deve ser o cisne! Pensei eu. E Quando me voltei, o que vi eu? O cisne, o nosso cisne solitário, no meio do lago, em cima de uma pata, em pleno acto sexual! Coitada da pata! Mal podia com o cisne! Ia ao fundo e vinha à superfície! Assim, meio estonteada, alternadamente! Tal como a pata, eu, de repente, perante tal espetáculo, perante aquele espetáculo à frente dos nossos olhos, dos meus e dos olhos esbugalhados dos miúdos, também fiquei meio atrapalhada, de tal modo que por momentos, fiquei sem conseguir explicar o que quer que fosse ao curioso do rapaz!!

Desabafou, ela, ainda sem conseguir conter, as mais que muitas, gargalhadas, pelo meio.

11
Set16

No nosso Expresso do Oriente

correspondente

Há uns largos anos, nós, os lisboetas, também tínhamos o nosso Expresso do Oriente, era o 85 da CARRIS, ia da Buraca até à antiga rotunda do Batista Russo, ficava na zona oriental de Lisboa, não ficava? Creio que sim.

Nesta prosa não existe nenhum crime, ao contrário do que acontece na outra, do outro Expresso. Ou talvez exista. Um assassinato de autoestima.

Da Buraca, logo da 1ª paragem, durante uns 2 a 3 anos, vinha este vosso cronista, pontualmente, num horário matinal, num destes autocarros pouco “expresso”.

Na 2ª paragem, ainda com o autocarro quase vazio, também pontualmente, entrava uma rapariga, a quem eu secretamente denominava de “Miss Piggy”. Não era feia. Era apenas para o “cheiinho” e, tinha longos cabelos loros, daí, cheiinha e longos cabelos, talvez a “alcunha”. Com tantos lugares vagos, como não quer a coisa, ou quer, vinha sentar-se mesmo ao meu lado. A viagem era longa. Maçadora. Normalmente do tipo “parado, arranca e outra vez parado”. A “Miss”, mais uma vez, como quem não quer a coisa, mas queria, fingia adormecer e encostava a sua cabeça ao meu ombro. Eu, ruminando para dentro, não dava tréguas, meio minuto depois de isso acontecer, sacudia o ombro, de forma abrutalhada. Ela olhava para mim, magoada, pedia desculpas num sussurro e, pouco depois voltava a fazer o mesmo. E era isto a viagem inteira. Ao final do dia, no regresso, a coisa, talvez menos assiduamente (por falta de comparência minha), volta e meia, lá se repetia.

E isto, durante 2 a 3 anos, sem um bom-dia nem nada. É que é preciso ser-se muito “bronco”, muito mal-educado. Por vezes fazemos figuras muito tristes.

Espero sinceramente não ter causado nenhum complexo à rapariga no que se refere ao sexo oposto!

07
Set16

Ossos do ofício

correspondente

Aviso: Este texto destina-se a maiores de 18 anos (será?) e pode, apesar de não ser essa a intenção, mesmo assim, apesar do cuidado, ferir a suscetibilidade de alguns puritanos, dado o cariz sexual (ou de anatomia masculina) implícito no mesmo.

Por estes dias estive internado em mais que uma unidade de saúde. Quando o motivo que nos leva a este tipo de estadia forçada está “ao rubro” não temos nem tempo, nem paciência para grandes “desvaneios”. Contudo, à medida que a nossa convalescença o permite, lá vamos pensando em outras coisas que não sejam tão desagradáveis, lá vamos pensando menos no motivo que nos levou até ali.

Um dia, mais propriamente uma manhã (quase de madrugada), já nessa fase, a de maior despreocupação, estava eu na minha cama, meio a dormir meio a sonhar, Quando de repente fui completamente desperto pela enfermeira, pela senhora enfermeira, assim para o despachado, que entretanto já estava ao meu lado, já estava a desviar os lençóis, a subir o casaco do meu pijama e a baixar ligeiramente as minhas calças e os boxers, com a frase do costume:

- Pica na barriga senhor X!

A mão dela tocou acidentalmente onde não devia tocar e, não sei quem ficou mais atrapalhado, se ela, se eu, eu fiquei vermelho da ponta dos pés à dos cabelos e, de uma coisa tenho a certeza, o sonho que estava ater, do qual fui “arrancado” assim tão bruscamente devia ter bolinha ao canto do ecrã, logo, fui completamente “apanhado” em flagrante delito, isto no homem, em certas alturas, não dá mesmo para dissimular!

 

 

03
Set16

O chinamarquês do português

correspondente

Um certo dia, num final de tarde, lá no escritório, estávamos, eu e a minha colega, silenciosos, meio entretidos nos nossos afazeres, sentados em frente às nossas secretárias, uma ao lado da outra e, do gabinete ao lado, o do chefe, distraidamente, escutávamos a conversa telefónica em inglês, entre este e um alemão, um sócio da nossa Firma. No meio daquele som de fundo, o chefe, exclamou, um pouco mais alto:

- Isso é como diz o outro!

De forma automática, olhámos um para o outro, com o riso mal contido e, disse, baixinho a minha colega:

- O alemão deve ter mesmo percebido isto. deve ter sido chinamarquês para ele, não deve?

E pronto, foi uma explosão de gargalhadas, das gargalhadas mal contidas lá atrás. Saímos de passo apressado, mais propriamente quase a correr, do nosso gabinete, até à recepção, de modo a que pudéssemos “estancar” o riso mais à vontade. Pouco depois, voltámos, certinhos, de novo, ao nosso posto de trabalho. “Certinhos”, isso sim, achávamos nós. O que nos valeu foi que o “expediente” estava mesmo a terminar. Até ao final do dia, bastava, sem querer, olharmos um para o outro e, não conseguíamos conter uma grane gargalhada. Que dois miúdos graúdos!

01
Set16

Motas e Afins

correspondente

Recentemente, por motivos alheios à minha vontade e que me causam uma certa preocupação, mas que não me são desagradáveis de todo, ando muito atenta a motas e seus respectivos condutores.

Numa das primeiras vezes que prestei mais atenção à mota e ao seu respectivo condutor, apreciei de forma positiva a mota, apreciei de forma positiva o condutor, para uns metros mais à frente, chegar à conclusão que se tratava do meu marido e da sua aquisição mais recente.

Nesta última vez, dei por mim a observar descaradamente um casal, que de capacetes nos respectivos braços, faziam compras numa grande superfície.

Ele, alto e forte, de ar durão e ela de longos cabelos louros, com ar de vamp, fizeram calmamente as suas compras e dirigiram-se para a saída, ao mesmo tempo que eu.

Ao observá-los, pensei logo que eu e o meu marido, não podíamos ser motoqueiros: a ele falta-lhe o ar de durão e a mim, o ar de vamp.

Enquanto arrumava o carrinho das compras e, porque não vi nenhuma mota por perto, segui-os, agora disfarçadamente pelo canto do olho, para ver para onde se dirigiam.

Foi então que ambos pararam junto daquele que eu calculei ser o seu meio de transporte e, por ali ficaram, de pé.

E, para minha grande surpresa, apesar de todo aquela aparência de durão e de vamp, o seu meio de transporte, era uma pequena motoreta!

Na realidade não os vi sentarem-se na motoreta que, pelo seu aspecto frágil, me deixou logo com uma primeira dúvida: seria mesmo aquele o seu veículo? E se fosse, aguentaria tal veículo com o peso do casal motoqueiro? E onde levariam as compras? E se realmente fosse aquela a sua “mota”, uma vez que não estava à vista mais nenhuma, uma vez montados, iria até muito longe?

Para além de a dúvida subsistir em relação ao casal e seu respectivo veículo, num sítio como este, o importante mesmo é termos um qualquer veículo para certas deslocações, uma vez que nem todos os caminhos são bons para andar a pé e as distâncias, muitas vezes, são grandes.

Ah e mais importante ainda, mesmo sem aparência de durão e de vamp, eu e o meu marido, certamente vamos conseguir passar por motoqueiros, que mais não seja, pela mota…quando estiver restaurada.

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