Nestum com Mel
Por vezes costumo pensar que a nossa vida é o que fazemos dela.
Contudo duma estadia prolongada no hospital, em princípio, nunca poderemos fazer nada de bom. Mas, às vezes, se calhar, até podemos!
Foi o que me aconteceu, em tempos, não muito longínquos, quando ao acordar de uma cirurgia, em vez de estar num quarto de recobro, me vi nos cuidados intensivos.
Apesar dos apitos insistentes, cujo barulho tanto me incomodavam e me faziam pensar:”Estes apitos devem significar que a pessoa está muito mal.,” e que afinal eram por minha causa e eu nem me apercebi, a estadia de cerca de três dias, até nem correu mal.
Não correu mal, porque eu recuperei rapidamente da falência respiratória, que me levou até lá.
Mas a “cereja no topo do bolo” foi o meu pequeno-almoço tardio, no último dia.
Logo de manhã, apercebi-me que um dos doentes comia Nestum com Mel, levado por um familiar e, de repente, senti um apetite devorador de Nestum com Mel.
Assim quando me perguntaram o que queria para o pequeno-almoço, respondi sem hesitar:
“Quero uma grande taça de Nestum com Mel.”
Surpreendida a auxiliar respondeu-me que não tinham, mas perante tanto “apetite”, ia ver o que podia fazer.
E não é que passado um bocado, a auxiliar me apareceu com tal grande taça de Nestum com Mel?
Nunca um pequeno-almoço me soube tão bem, pois nunca um desejo de um pequeno-almoço me tinha sido tão prontamente concedido, para além de que tanto apetite, só podia significar uma coisa: eu estava finalmente recuperada!
De: Mafarrica do Milharado
