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Há horas assim

Livro em construção

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Há horas assim

23
Ago17

O milagre improvável

correspondente

O título para este texto só por si já não me soa bem. Talvez seja um sinal de que estou em dia não para escrever seja o que for. Milagre e improvável parecem que querem dizer a mesma coisa. Isto é, como é óbvio, para quem acredita em milagres. Para quem não acredita apenas existem coisas improváveis de acontecer. Mas tanto a um crente, como a um não crente, se essa coisa é muito desejada, ambos vão “rezar” para que aconteça. E estou em querer que, pelo menos para um dos intervenientes nesta historieta, o principal interessado (em todos os sentidos) acreditando ou não, ele não se teria importado de que tivesse mesmo acontecido esse, pouco provável, milagre. De qualquer modo vou deixar o título como está. Reforça a ideia.

Agora vejo que comecei demasiado “católico”, principalmente, para aquilo que me proponho contar, para aquilo que vou escrever nas próximas linhas, de qualidade duvidosa e, de classificação, no mínimo, para a “brejeirice”.

Um certo dia, à porta do quarto, numa unidade de saúde, na ala dos convalescentes, alguém aguardava que o tempo fosse passando, que a sua saúde se fosse restabelecendo e, mais terra-a-terra, aguardava, isso sim, pela hora do almoço.

Passou por ele o Sr. J na sua cadeira de rodas. Um senhor, já para o entradote, que tinha sido amputado de metade de uma das pernas, na sequência de um acidente, que lhe causou essa perda. Ia “posicionar-se” junto ao elevador, ao fundo do corredor, para ser levado para baixo, para a fisioterapia. Ainda mal tinha chegado ali e, ao virar a esquina, vinda de outro corredor, afogueada, uma das auxiliares, quase que ia esbarrando nele.

- Ia caindo em cima do Sr. J quase que ficava ao colo dele.

Disse, depois, a rir, esta auxiliar, às suas colegas, bem nas “barbas”, desse alguém, esse paciente, esse paciente, na porta do seu quarto, pelo tempo a passar, pela convalescença e, acima de tudo, pela comidinha.

- Então, aí é que se dava um milagre, então aí é que fazia crescer a perna, a perna do Sr. J.

Olharam todas para mim, para aquela “mosquinha morta” e, desataram numa risota generalizada.

Reforço a ideia, esta minha “profecia”, com dupla interpretação (ou não), a realizar-se de facto, em qualquer um dos sentidos, não tenho grandes dúvidas, o Sr. J ficaria eternamente grato a quem lhe tivesse proporcionado esse “milagre” da natureza.

21
Ago17

Uma dupla (im)batível

correspondente

O episódio que aqui vou contar é muito curto mas é bem demonstrativo daquilo que viria acontecer nos dias de hoje em geral. Na altura era uma excepção agora é quase regra. Custa muito aos pais deixarem os filhos “voar” e, aos filhos também parece custar bastante dar o primeiro passo nesse sentido. E assim vão crescendo sem nunca crescerem de facto.

Um certo dia, há uns anos largos, um amigo, à mesa, com uma cerveja fresquinha na mão, num café, aborrecido, disse-me:

- Ontem fui com a minha avó a Lisboa por causa de um emprego. Mas acho que, para variar, não me vão chamar.

Este meu amigo era um pouco (muito) para o avesso a esse tipo de item na actividade económica, o de ter um trabalho, ou pelo menos na procura do dito cujo. A família, lá em casa, lá está o que eu escrevi anteriormente, primeiro condescendeu, foi deixando que ele se sentisse bem no “ninho” e, à medida que o tempo ia passando e ele nada de procurar um trabalhinho, aí sim, começou a tentar dar uma “ajuda” nesse processo. Puxou dos conhecidos, vulgo das cunhas e, toca de empurrar o rapazinho para entrevistas com essas “cunhas”. Mas a coisa não dava em nada. Ou a cunha era fraca ou então o esforço do candidato para agarrar o emprego era nulo. Na dúvida, o melhor, de futuro, era acompanhar o menino a essas entrevistas. Daí a insólita e improvável (e condenada ao insucesso acrescentaria eu) dupla, neto e avó, numa entrevista de emprego.

- E era para quê?

Perguntei eu inocentemente.

- Era para guarda prisional.

Respondeu o meu amigo.

Escusado será dizer que fiquei de boca aberta perante aquilo.

Provavelmente foi a primeira e a única vez que alguém foi com a avó candidatar-se para tomar conta de presidiários!

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