Assalto com Final Feliz
Em tempos idos, fiz várias visitas a Madrid. E para ser franca, gostei mesmo muito, apesar de alguns “senãos”.
Gostei dos edifícios antigos, muito arranjados, gostei das avenidas largas, gostei dos museus, gostei da cidra fresquinha tirada na hora, à pressão…e os “senãos” foram a ausência de cestos para lixo nos cafés e os roubos constantes.
Numa das minhas últimas visitas, e porque me sentia muito à vontade, fui sozinha, desde os arredores, de comboio, visitar o Museo Reina Sofia, que adoro, pois tem várias pinturas de Salvador Dali.
Como naquela altura ainda não existiam (pelo menos por cá) os telemóveis, mas convinha-me não perder uma chamada telefónica, aderi a um serviço simples de utilizar em qualquer cabine telefónica.
Então, antes de entrar para o Museu, fui à cabine mais próxima, que por sinal era aberta, pousei a carteira numa prateleira e liguei para o meu telefone de casa.
Quando estou a desligar o telefone, oiço alguém gritar:”Señora, la cartera!”
Olhei para a prateleira e a carteira tinha desaparecido. Convém dizer que (estupidamente) tinha lá todo o dinheiro, para os dias que ia passar em Madrid.
Olhei de seguida, por sorte, para o lado certo e, vejo um rapaz a correr. Dei uma corrida e sem saber como, alcancei-o. E das duas, uma, ou ele corria pouco, ou eu estava muito bem para ir aos Jogos Olímpicos, e não sabia. Pelo menos, como foi há 40 Kgs atrás, era realmente capaz de correr mais do que agora.
Frente a frente, disse calmamente ao gatuno (ou seria só aprendiz de gatuno?):”Tenho nessa carteira todo o dinheiro para os dias que vou cá passar.”
O rapaz olhou para mim e surpreendido disse: “Ah, és portuguesa!” E de seguida deu-me a carteira com tudo o que estava lá dentro, dinheiro, inclusive!
E como se nada se tivesse passado, seguimos, cada um, calmamente, para seu lado.
De: Mafarrica no Milharado
