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11
Nov17

Damaia! Onde fica isso?

correspondente

Há muitos anos, um verdinho recruta, ou se calhar já com a recruta feita, a cumprir o serviço militar obrigatório em Viana do Castelo, pediu a transferência para Lisboa. Algo o chamava na capital, ou então, por outro lado, por vicissitudes da vida, naquela altura, era por nada o prender a Caminha, à sua terra natal, àquela terra que tanto recordou durante a sua vida, àquela vila que não queria voltar nessa altura e, da qual acabou por “aguçar” o interesse dos seus descendentes, ao ponto de, falo por mim, apesar de se contarem pelos dedos de uma mão as vezes que lá estive, sentir aquela vila como, não sei bem explicar, mas como o local de onde venho, a terra onde estão as minhas raízes, embora tenha nascido em Lisboa.

A transferência solicitada saiu. O capitão, imaginemos que era esta a patente, pois não sou muito entendido nos assuntos da “tropa”, Chamou-o e, com a ordem da transferência na sua frente, disse-lhe:

- Damaia. Saiu a resposta ao teu pedido, vais, ora deixa confirmar, Damaia, é isto mesmo, vais para um posto localizado neste sítio.

- Damaia! Mas isso fica onde?

Perguntou, meio perdido, o minhoto tropa.

- Deve ficar na zona de Lisboa, não foi para onde fizeste o teu pedido, para ires para Lisboa?

Responde, também meio perdido mentalmente no mapa de Portugal, outro, quase de certeza, minhoto, o capitão.

- Não quero ir. Eu pedi Lisboa. Sei lá onde fica essa Damaia.

Respondeu esse tropa de forma bastante inflexível na sua posição quanto a essa transferência para esse local não desejado, não por ter algo contra essa terra, apenas porque era uma ilustre desconhecida.

Fez o resto do serviço militar em Viana, no final do qual, voltou a Caminha e, pouco tempo depois, rumou a Lisboa.

Ironia das ironias, viveu, entretanto, depois de casar, mais de 50 anos, na “desconhecida” Damaia

Lembro-me bem daquele posto, aquele para onde o meu pai recusou a transferência, era um recinto vedado com uma casa e um depósito de combustível, na estrada militar, a caminho das portas de Benfica, de quem vinha da estação dos comboios da dita Damaia. Muitas e muitas vezes por lá passei a pé e de autocarro da Carris (de dois andares e verdinho) na companhia da minha irmã e da minha mãe, do meu pai, por ali, não me lembro de facto, de nos acompanhar, se calhar era um local que não gostava mesmo. Creio que não, o motivo era outro, normalmente aquelas idas eram aos dias de semana e, ele estaria por Lisboa, pela sua terra prometida, Lisboa, a trabalhar.

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