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Há horas assim

Livro em construção

Livro em construção

Há horas assim

21
Jan15

Uma mosquinha-morta apanhada na teia

correspondente

Lá no escritório, existia um gabinete desocupado e, cuja localização, obrigava um corredor (o que nos levava até ao centro do dito “estaminé”) a fazer um L, ou seja, após passarmos a esquina desse gabinete, o corredor virava à direita, depois à esquerda e finalmente seguia em frente novamente.
A propósito ou não, o patrão (por vezes tinha esse hábito) inventou uma nova “necessidade”, um novo “cargo”, uma lacuna qualquer que ele vislumbrou no organigrama. Nunca saberemos se essa nova “necessidade” apenas surgiu, na sua cabeça, de modo a “compor o ramalhete”, que é como quem diz, de modo a ocupar o tal gabinete vazio, ou então, se era mesmo, uma falta imperdoável e, por isso mesmo, um cargo urgentíssimo a criar, um posto de trabalho imprescindível no bom desempenho da Firma. A verdade é que o plano se pôs em marcha, marcha que implicou uma pequena intervenção no gabinete. O patrão não gostava de gabinetes “opacos”, não gostava que depois de porta fechada, nada se visse, lá dentro, dos gabinetes. E neste caso concreto, dada a essa “necessidade” tão necessária (passe a redundância), o seu futuro ocupante, se estivesse, assim, tão fechadinho, tão “opaco”, no seu cubículo, até não seria de espantar, que uma vez por outra, caísse nos “braços de Morfeu”. Assim sendo, entram em campo as Construções X, especialistas em obras de “Santa Engrácia”, a quem lhes é encomendada a obra de grande vulto, a de substituir um painel de madeira, na esquina do gabinete, por um de vidro, deste modo, no futuro, quem passasse no corredor, podia ver o seu ocupante e o seu, mais que certo, ar compenetrado a desempenhar a sua enigmática, mas “árdua” tarefa. De pronto, o painel de madeira foi retirado, contudo, o vidrinho que o deveria substituir é que demorou um pouco mais a ser lá colocado, ficando o gabinete, por sorte, ainda desocupado, um bocado “esventrado”.
Neste espaço de tempo, entre mete e não mete o vidro, não é que um colega, com toda a certeza, com os mesmos dotes “visionários” do patrão, viu ali uma oportunidade de, sempre que ia pelo corredor, encurtar caminho, se ia para lá, metia-se pela porta do gabinete e saía pela abertura, aquela que estava “pacientemente” a aguardar o vidrito, se vinha no sentido inverso, aí ia ele direitinho à abertura e aparecia, ao dobrar a esquina, a sair da porta desse gabinete. Enfim, era um entretém, que como está bom de ver, apesar da “celeridade” das obras, tinha os dias contados, o colega foi de férias, e não é que, finalmente, os senhores das Construções X, descobriram o vidro certo para lá colocar e, vejam bem, até o colocaram! No dia em que o colega regressou de férias, vamos os dois a falar pelo corredor fora e eis senão quando, sem dar tempo de o avisar, este se enfia porta adentro, do escuro gabinete e, se vai “esborrachar” contra o vidrinho recentemente ali colocado, tal qual, uma mosquinha, como uma mosca-morta numa enorme teia de aranha!

Nota: Ainda bem que o patrão se lembrou do dito vidrinho, do vidro que mais parecia uma montra, uma montra para o interior do gabinete, um interior que seria tão desinteressante como qualquer outro, não fosse, depois de ocupado, a sua “inquilina”, ter, entre outros atributos, uns olhos esverdeados de tirar a respiração a qualquer um.
Já quanto ao que fazia ali, naquele gabinete, na Firma, até hoje é um verdadeiro mistério para mim.

20
Jan15

Muito British

correspondente

Um dia, num restaurante, um dos que fazia parte do vasto “arco” das imediações do escritório, aquele arco prevaricador que fazia “dilatar” a minha curta hora de almoço, eu e um colega estávamos junto do balcão das pizas de tabuleiro em punho, pois aquilo “funcionava” por balcões, uns para os grelhados, outros para os pratos do dia, bem como aquele para pizas e, depois era pegar num tabuleiro e escolher o balcão e esperar a nossa vez para decidir qual a variedade, naquele caso, dos ingredientes e aguardar o nosso “pitéu” pacientemente, entretanto aproveitava-se para ver a “paisagem”, o que na prática, no que se aplicava à minha pessoa, isso traduzia-se em olhar para a mesa no centro, para a mesa onde estavam as sobremesas, para abreviar tempo perdido, pois dali, das pizas, de tabuleiro aviado, o próximo passo, era a dificultosa tarefa de escolher essa “cereja” no topo da refeição e, depois lá se ia à procura de mesa, não sei antes, passar pela caixa e ficar com a carteira mais leve.
Ora muito bem, estávamos nós, eu e o meu colega, nessa espera, junto desse balcão, um balcão naquele momento sem empregado, este devia ter ido dar uma mão num dos outros balcões, quando, entretanto, chegou-se até ali outra dupla, outra dupla para as pizas, um senhor já “entradote”, com ar de não ser lá grande apreciador de pizas, acompanhado de uma jovem e atraente mulher, possivelmente a causadora daquele desvio alimentar do respeitável senhor. A jovem seria uma conquista recente ou uma conquista promissora? Não sabemos. O que sabemos é que o senhor parecia um “pavão”. Estava de facto contente consigo mesmo por estar na companhia dela, ali, em público.
Entretanto, o empregado, em passo rápido, ao ver gente a aguardar, veio até ali e, esgueirou-se, muito solícito, para detrás do balcão. O nosso “conquistador” virado para a donzela, meio de costas, para empregado, balcão, pizas e tudo mais, falava que falava. O balcão, era daqueles, que para permitir o acesso ao seu interior, num dos cantos, se levantava e, como quando o empregado entrou, claro, estava levantado, este entretanto, baixou-o, deixou cair aquele maciço tampo de madeira, deixou-o cair para o seu devido sítio.
E nesse preciso momento, o restaurante inteiro assustou-se, alguém deu um “berro” descumunal, seguido dos mais diversos palavrões. Foi o nosso cavalheiro. Uma das suas mãos, até ali, tinha estado meio esquecida, em cima do balcão, entre o “balcão levadiço” e o restante balcão. Levou um entalão!
Mas conforme perdeu a compostura (quem não a perderia?), rapidamente a recuperou, ainda por cima, ali, junto daquela “interessante” menina e, perante a pergunta do empregado:
- Tinha a sua mão onde?
Respondeu, num estilo muito british, com a maior das calmas, a tentar apagar a má impressão anteriormente causada por aquele urro de fazer inveja a um urso e pelo léxico menos próprio utilizado logo após esse berro:
- A minha mão, onde estava, pergunta o senhor? Estava precisamente aí, aí onde o senhor deixou cair essa parte do balcão.
E pronto, não me lembro se o senhor desistiu das pizas ou, se pelo contrário, se aguentou firmemente, ali, ao lado da sua dama, a sua vez. O que sei é que se ele queria atenção, se queria mostrar ao “mundo” a sua conquista, sem dúvida, conseguiu ser, naquele momento, o centro da atenção, não do mundo, mas pelo menos, do restaurante!

01
Dez14

A do candeeiro

correspondente

Na linha do tema do post anterior, de “abalos” causados por “surpreendentes” colegas de trabalho, aqui fica este novo e breve relato (que por acaso também tem a ver com um presente).
Numa manhã, lá no escritório, na recepção, num ajuntamento, as minhas colegas, na maior animação, estavam a dar os seus presentes de casamento a uma delas e, no meio de ofertas “sérias”, lá estavam algumas “malandrices, entre elas, um calendário com as mais variadas posições. Não sei se era assim mesmo, pois não o vi, mas disseram as “entendidas” colegas que a variedade era mesmo muita. Como eu ia dizendo, estavam elas a oferecer o dito calendário e, no entretém das sugestões, das quais eram mais “interessantes”, das que a nossa coleguinha “casadoira” devia “exercitar” na lua-de-mel, eis senão quando, uma delas, escortinando o calendário de alto a abaixo, declarou:
- Falta aí a do candeeiro!
Espanto geral! Qual? A do candeeiro? Algumas olhadelas ao calendário para confirmar a ausência notada pela “observadora” colega. Mas qual é a do candeeiro? Mas que raio de posição é essa? Quando a maior parte das “inocentes” colegas começa a “cair em si”, começa a admitir desconhecer tal posição, olham melhor para quem tinha feito tal observação e, de novo, espanto generalizado. A L.! A L., a mais pudica lá do escritório! Não é possível! No meio de sorrisos maliciosos (ou mesmo risos descarados), desatam a “bombardear” a ruborizada e de novo inocente colega, com perguntas, qual delas a pior, versando o tema (agora tão suculento):
- De como é que era mesmo a posição do candeeiro? Na qual, pelos vistos, a colega L. era uma entendida!

29
Nov14

O Presente (muito mal) vislumbrado

correspondente

Aqui está um presente de aniversário, sem margem para dúvidas, que agradou a “Gregos e Troianos”, o que é como quem diz agradou à aniversariante (pois foi a pedido e à medida desta), também deve ter agradado imenso ao mais directo interessado e, por último, deixou muito satisfeitos os seus colegas “presenteiros” (falo por mim, claro!), ou seja os colegas que ofereceram esse “pecaminoso” presente. Uma peça de roupa íntima, que com toda a certeza se destinava a deixar o seu marido de “olhos em bico” e, que esta, num acto de pura “bondade”, para com os colegas “solteiros e bons rapazes”, ou mais propriamente, para com o “intruso” colega, esta, lembrou-se de aparecer vestida apenas com uma gabardine (ou lá o que era) e o dito presente, num dos gabinetes, lá no escritório e, depois de chamar algumas colegas, às quais eu me juntei apressadamente, fingindo não perceber que estava ali a mais, pois a “convocatória” era apenas para as colegas do sexo oposto, mas já adivinhando “sacanagem” no ar e, argumentando também ter contribuído para a dita oferta e, portanto, dali não saía de jeito nenhum. E assim, a “jeitosa” colega lá condescendeu com aquele “aprendiz de tarado sexual” e, num ápice, abriu e fechou a gabardine. Que visão! Contudo, depois do Céu veio o Inferno, também num ápice, o restante “mulherio” escorraçou o salivante (e ainda momentaneamente em estado de choque) colega, lá de dentro, do inesperado “apelativo” local de trabalho e, por fim, ficaram à vontade e, finalmente, puderam apreciar melhor a peça de lingerie oferecida e dar a sua opinião de supostas entendidas (como se um homem não estivesse mais habilitado para o efeito!), de como ficava bem à “interessantíssima” colega o NOSSO diminuto Presente!

02
Mai14

O involuntário viajante de Elevador

correspondente

Um dia, ao chegar ao escritório, após os “bons-dias” habituais e mais meia dúzia de palavrinhas, trocadas com a colega da recepção, aproveitando o momento para dar umas espreitadelas para o seu decote “generoso” e para, assim, despertar um pouco mais, uns minutos depois, sem mais nenhum pretexto para ali demorar a “estadia”, lá acabo por me decidir a carregar no botão do elevador, para o chamar até ao Rés-do-chão. Sim, para chamar o elevador, porque, apesar do escritório, ser composto apenas de dois pisos, aqui, estava um elevador, para os mais adversos ao exercício físico. Enquanto, este, vem e não vem, dou mais umas palavrinhas e, mais umas espreitadelas, a ver se ganho algum “suplementar” ânimo para o árduo e longo dia de trabalho, entretanto, para meu pesar, aí está o elevador. Abro a porta, lá dentro, está um colega. Dou os “bons-dias” e, desvio-me para lhe dar passagem, para ele sair, mas, este, retribui a saudação e, nada, fica lá dentro. Eu, já um bocado irritado, por estar ali a fazer figura de parvo, a segurar a porta, pergunto-lhe:

- Então Zé andas a passear de elevador? Não queres sair?

 Ao que ele me responde:

- Quero, mas quero sair, lá em cima. Pois, quando ia a abrir a porta para sair, no 1º andar, tu, não me deste tempo e, chamaste o elevador, cá para baixo!

Por este pormenor, podemos aferir a rapidez do homem, ou então, não despertou o suficiente, ao passar, por aquele “despertador”, pelo decote da nossa colega, ali, da recepção. Indiferença que no seu caso, se a memória não me atraiçoa, seria uma coisa perfeitamente natural, tendo em conta a imagem favorável que tenho da sua própria esposa!

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