Saltar para: Posts [1], Pesquisa [2]

Há horas assim

Livro em construção

Livro em construção

Há horas assim

03
Fev21

Uma meia dúzia

correspondente

- Olha Y hoje o prato do dia é o meu preferido!

 

Exclamou, diga-se, com uma certa gula estampada nos seus olhinhos, o meu colega X, depois de ter espreitado para a ementa, Na altura em que transponhamos a porta do restaurante.

 

- Então o que vai ser?

 

Perguntou o empregado de mesa.

 

- Aqui para o meu colega Y não sei, mas para mim senhor João, é feijoada.

 

Pediu o X, acrescentando, logo de seguida:

 

- Mas com muito pouco feijão e se possível muita couve!

 

Muita couve e pouco feijão? Ouvi bem?

 

Bom, como o próprio nome do prato indica, este, leva feijão. Mas o colega que “adora” feijoada dispensa os feijões pelos vistos!

 

 

Manias!!

11
Out19

Dos sete pecados Capitais

correspondente

Um deles está tão em voga ultimamente. A gula. Todos eles, capitais ou mortais. Forte. Mas não inibidor. Não sou especialista em teologia, portanto, em vez do termo pecado, prefiro, usar a expressão tentação, que presumo, está antes do dito pecado. Não sei, mas, cair em tentação, parece-me menos grave, ou pelo menos, parece que de algum modo temos atenuantes, não pecamos porque sim, fomos tentados. Enfim, pecar, ou cair em tentação, tecnicamente, deverá ser a mesma coisa, mas não há dúvida que uma soa melhor aos nossos ouvidos do que outra. E ainda existem os mandamentos. Seguramente muitos motivos para nos mantermos na linha. Mas estes últimos não são agora para aqui chamados.

E por muito que tentemos dissimular as nossas fraquezas, é um facto, algo em nós, nos denuncia de imediato.

E porque, é de nos mantermos na linha, exactamente, do que pretendemos falar, há uns tempos, eu mais um compincha, um colega de trabalho, com a acrescida cumplicidade de mais duas colegas, que ficaram a aguardar no escritório, fomos em missão, a um shopping, encomendar e trazer o almoço para nós os quatro. O que era podia-se ter pedido para ali se entregar, no escritório, mas a gula e, a poupança, falaram mais alto, assim, podíamos trazer duas pizzas enormes, apenas, pelo preço de uma. Dito e feito. O Shopping ficava perto, mas dada a urgência ditada pelos nossos estômagos, fomos de carrito. Este ficou no parque subterrâneo. A restauração ficava lá para cima e, portanto, elevador com eles. No regresso, com as duas caixinhas, debaixo do braço, que é como quem diz, dado o conteúdo, tinham que ir bem direitinhas, elevador com eles de novo, para baixo, rumo à carripana. A meio do percurso, no elevador, este parou num andar intermédio e, aí entraram dois a três jovens. O elevador cheirava a pizza quentinha por todo o lado e, desses jovens, um deles, era um pouco mais cheiinho. Adivinhem quem fez o seguinte comentário de olhos esbugalhados e quase a salivar?

- E são duas!!

- Estava a ver que tínhamos que defender com unhas e dentes as nossas meninas!

Comentou, a sorrir, o meu compincha, ao sair do elevador, no parque de estacionamento.

19
Out17

No outro lado da linha

correspondente

A central telefónica estava, mais ou menos, entre as duas secretárias, a minha e aa da colega, mas mais no lado dela, era uma das suas funções, “pilotar” aquilo, que é como quem diz, atender as chamadas. Existia ali a ideia errada que qualquer um de nós o deveria fazer. Ideias ligadas à polivalência. Ideias muito interessantes. Não fosse o caso de um ter sido contratado para, entre outras funções, assumir aquela, ter aceitado a remuneração de acordo com isso a e, o outro, ter aceitado também a sua remuneração, de acordo com as funções para as quais, em tempos, tinha sido contratado, das quais não fazia parte aquela. Teimosia à parte, mais que justificada, claro, estando disponível, em caso de ausência temporária da colega, este lá ia atendendo, uma ou outra chamada, quanto mais não fosse, para deixar de ouvir a central a “apitar”.

Mas, pelo menos uma, uma chamada, diária, quase sempre, pela mesma hora, eu, esforçava-me por atender, deixava tudo o que estava a fazer e, corria a estender a mão para o telefone, estivesse a colega, ali, pronta a atender ou não. Do outro lado da linha, estava uma “menina” com uma voz que me deixava derretido, não era para mim, a chamada, que pena, era para o armazém, contudo, ficávamos ali, os dois, em “salamaleques” uns minutos antes de eu, por fim, lá me resolver em passar a chamada.

Com a colega, a dar menos nas vistas, mais recatada, passava-se, algo do género, com alguém, do outro lado da linha, curiosamente, da mesma empresa, da empresa da menina de voz doce.

- O senhor X é tão educado, tão distinto, sim senhor, é um cavalheiro, etc. etc.

Dizia ela, a colega, coisas deste tipo, mais para si do que para este seu colega da secretária do lado, ao desligar a chamada. E enfim, assim, ficávamos nós, com os nossos botões, se calhar, cada um de nós, a imaginar, a dar corpo àquelas vozes.

O dia chegou, tanta “corda” se deu, de parte a parte que, a prometida visita aconteceu, a pretexto de qualquer coisa, ou de coisa nenhuma, a curiosidade a morder, uns papeis a entregar por mão própria, serviram a causa, os dois colegas, a voz doce e o senhor X, apareceram, ali, nas nossas instalações.

Ficaram, do outro lado, na espécie de balcão, existente entre o armazém e o nosso gabinete. O senhor X, quase que teve de se pôr em bicos-dos-pés, para chegar ao balcão e, dali, de sorrisinho, cumprimentou-nos e, lá trocou, atrapalhado, meia dúzia de palavras de circunstância, com a minha colega.

- Que saco de batatas! Baixinho, gordo e feio!

Exclamou ela depois.

- Imaginava outra figura para aquela voz!

Desabafou ainda.

Quanto à voz doce, não me desiludiu, era bonita, mas, alguém, um meu colega, com a melhor das intenções, acredito, aos meus ouvidos, tinha soprado, antes, coisas pouco abonatórias acerca dela, coisas que estupidamente esfriaram o meu entusiasmo.

Pelo meu “arrefecimento”, ou então, tal como o senhor X foi uma desilusão para a minha colega, eu, se calhar, talvez também tenha sido um desastre para a voz doce, certo, certo é que, as seguintes chamadas, quando as atendia, eram rapidamente reencaminhadas ao armazém, ficando no ar, entretanto, a vaga promessa, de um encontro para um “cafezinho”, nunca concretizado.

14
Out17

Flores (se fosse possível) invisíveis

correspondente

De modo a evitar equívocos, tudo o que vou contar a seguir, não é pura imaginação, mas também não se passou comigo, como de costume, foi com um amigo, com um amigo sempre conveniente, sempre à mão-de-semear, quando queremos contar alguma coisa mais comprometedora, para nós, ou para alguém nosso conhecido.

 

Então, há alguns anos, estava esse meu amigo no seu trabalho, sentadinho à sua secretária, do outro lado da sala, noutra secretária, estava a sua colega de gabinete e, era a paz total, o chefe e o patrão, possivelmente ainda entretidos à mesa, no almoço, estavam, por enquanto, ausentes, portanto, patrão fora, dia santo na loja, ou seja, a trabalhar, deviam estar, esses dois, mas numa velocidade “cruzeiro”, sem pressas.

Com pressa, veio, esse sim, o estafeta, aquele que lhes apareceu à frente, carregado com um enorme ramo de flores. Feita a entrega, num estalar de dedos, desapareceu. Não, o ramo, não era para o meu amigo, nem para a sua colega, era para o chefe deles. A colega, espreitou o cartãozinho e, viu, era de, já que estamos em maré de amigos, uma “amiga”. O referido ramo de flores, talvez por uma questão de espaço, ficou a aguardar a entrega, ao destinatário final, junto à secretária do meu amigo.

Finalmente, patrão e chefe, bem-dispostos, chegaram. O meu amigo nem deixou o chefe respirar, num pulo, foi até junto deles, de ramo na mão e, possivelmente, com ar presenteiro, ao mesmo tempo que estendia o ramo na direcção do chefe, disse:

- São para si!

- Para si!?

Exclamou, interrogou, logo, o patrão.

O chefe deu uma olhadela ao cartão e, meio embaraçado, ficou de ramo na mão, sem saber bem o que fazer naquele momento.

Notando o embaraço, o patrão, picado, pelos olhares cúmplices, do meu amigo e da sua colega, sem rodeios:

- Quem lhe enviou isso X?

- Foi, foi, um amigo.

Respondeu, sem pensar, o chefe, de pronto.

- Um amigo!!!

Abriu a boca, de espanto, sem acreditar naquilo que acabara de ouvir, o patrão.

Naquele dia era o dia dos namorados e, da esposa do chefe, a proveniência do ramo, era certo, não tinha sido.

Foi pior a emenda que o soneto.

O lindo ramo, ao final do dia, por mero acaso, ficou esquecido, ali, no escritório. 

29
Jan17

O algodão não engana

correspondente

Era o dia de ir à “inspecção”, de ir ao médico de trabalho. Normalmente era ao final do dia e aos pares. Naquele dia ia eu e um dos vendedores. Aquilo era um pouco deprimente. O consultório tinha assim, ao final do dia, no Inverno, um ar sombrio, um ar de museu, um ar de museu de cera, se estivesse por lá alguma das pacientes.

Estávamos ainda no escritório, eu e o vendedor, a “planear” essa ida ao final do dia, dizia ele meio a brincar:

- Então J lá vamos nós mais logo levar com os martelinhos?

O médico era neurologista e, para além de dar uma olhadela as análises e a outros exames, claro, não dispensava o uso dos martelinhos para testar os nossos reflexos, acho eu que era para isso, quero acreditar que não era pura tortura.

O nosso chefe ia a passar, ouviu aquilo e disse:

- Vocês gozam com os martelinhos mas olhem que o doutor com os ditos martelinhos descobriu que eu tenho um problema na cabeça! Eu e o vendedor olhámos um pra o outro, sorrimos de modo cúmplice, deixámos o chefe virar costas, entrar no seu gabinete e, quando ele não nos podia ouvir, exclamou o vendedor:

- Esta é boa! Para descobrir que ele tem um problema na cabeça, como está bom de ver, nem era preciso usar os martelinhos!

Concordei com ele.

 

Nota: Nada tenho contra o dito chefe. Tirando o facto de ser mais papista que o papa nos aumentos. O único defeito era esse mesmo, o de ser o nosso chefe.

19
Set16

Uma vez papá, sempre papá

correspondente

Num emprego, se somos daqueles que vão fazendo parte da mobília (e mesmo assim, comparação apenas aplicável onde a mobília não é substituída de tempos a tempos), que é como quem diz, os colegas vão mudando e nós vamos ficando, é natural os grupos irem sofrendo “mutações”. Era o caso daquele grupo de colegas que habitualmente almoçavam juntos, naquela altura eram aqueles quatro, mas uns anos antes o grupo era outro e, uns anos depois, também já não era o mesmo. Pelo exposto lá atrás, fiz parte do anterior, deste e do seguinte, ou até mesmo dos seguintes. Bom, mas este, o que interessa para aqui, era composto, por norma, apenas por quatro homens (dada a ausência do sexo oposto, portanto, um grupo muito sem graça). Dois sem filhos e dois com filhos, mais propriamente, filhas. Um deles com duas, mas a sua dor de cabeça, claro, era a mais velha, agora a estudar na faculdade e acabadinha de sair de casa dos pais. O outro tinha uma, ainda mais velha que a do anterior, aí uma trintona, solteira e “boa rapariga”, também a viver fora da casa do papá. Tanto uma situação como a outra, a saída da casa dos pais, devia ser muito “fresquinha”.

Um dia, depois de termos almoçado, por ali, pelas imediações do escritório, daí a dispensa de automóvel, vínhamos, rua abaixo, os quatro e, um dos papás olhou para o outro lado da rua e disse, afastando-se e atravessando a rua:

- Vou ali ao multibanco. Podem ir andando. Já os apanho.

E o que poderia ser uma quebra na nossa rotina, na verdade, dali em diante, passou a fazer parte da mesma. Primeiro alternadamente, ou ia um papá ou ia o outro, volta e meia, antes ou depois do almoço, até junto de uma caixa multibanco e, com o tempo, perderam de todo a vergonha e, lá iam os dois juntos. A coisa era de tal modo que, nós, os outros dois, os não papás, ao passarmos por uma caixa multibanco, se eles não manifestavam intenção de ir até ela, nós, rapidamente, lhes dizíamos que ali estava uma caixinha.

E o que iam fazer os papás até à caixa multibanco, assim, tão assiduamente? Simples. Carregar os telemóveis das filhinhas. Coitadas. Não têm dado notícias. Não devem ter saldo.

Creio que depois de telemóveis carregados, os telefonemas para os papás, não aconteciam, ou eram, pelo menos, escassos na mesma, mas enfim, estava feita a romaria de papás, preocupados com as filhas crescidinhas, até à caixa multibanco mais próxima deles!

03
Set16

O chinamarquês do português

correspondente

Um certo dia, num final de tarde, lá no escritório, estávamos, eu e a minha colega, silenciosos, meio entretidos nos nossos afazeres, sentados em frente às nossas secretárias, uma ao lado da outra e, do gabinete ao lado, o do chefe, distraidamente, escutávamos a conversa telefónica em inglês, entre este e um alemão, um sócio da nossa Firma. No meio daquele som de fundo, o chefe, exclamou, um pouco mais alto:

- Isso é como diz o outro!

De forma automática, olhámos um para o outro, com o riso mal contido e, disse, baixinho a minha colega:

- O alemão deve ter mesmo percebido isto. deve ter sido chinamarquês para ele, não deve?

E pronto, foi uma explosão de gargalhadas, das gargalhadas mal contidas lá atrás. Saímos de passo apressado, mais propriamente quase a correr, do nosso gabinete, até à recepção, de modo a que pudéssemos “estancar” o riso mais à vontade. Pouco depois, voltámos, certinhos, de novo, ao nosso posto de trabalho. “Certinhos”, isso sim, achávamos nós. O que nos valeu foi que o “expediente” estava mesmo a terminar. Até ao final do dia, bastava, sem querer, olharmos um para o outro e, não conseguíamos conter uma grane gargalhada. Que dois miúdos graúdos!

04
Abr15

Os senhores Policias de “souvenir”

correspondente

Foi pouco depois dos atentados, dos cometidos em 11 Setembro de 2001, ou dos em 11 Março de 2004, ou dos em 7 Julho de 2005. Uma colega lá do trabalho foi passar férias a Londres. No seu regresso trouxe para todos nós, para os seus colegas, de lá, uma simpática lembrança, um polícia em miniatura, daqueles tipicamente britânicos, de capacete do género dos nossos polícias sinaleiros, só que uns são brancos e os de lá são pretos, uma miniatura do tipo das nossas minhotas para turistas levarem juntamente com o galo de Barcelos como recordação do nosso país.
Ainda até há pouco tempo esteve aqui, na sala, numa estante, bem ao lado de outra “força de segurança”, também típica desse país, é outra miniatura, mas neste caso, é um guarda do palácio da rainha. Digamos que estava bem guardado. Infelizmente, pelos vistos, a constituição física destes polícias, não querendo ser má-língua, não é das melhores. O senhor polícia de Londres caiu e ficou meio “danificado”. Um dia destes tenho que tratar dele, mas por enquanto, no activo, apenas está o guarda da rainha e, como rainha, por aqui, não há, este não me deve servir de nada.
Mas voltemos lá atrás, ao dia do regresso ao trabalho da nossa colega turista. Enquanto ia “distribuindo” a força policial pelos colegas, aproveitava para contar as suas peripécias, passadas lá por terras de sua majestade.
Já no final das novidades, acrescentou:
- E agora, no regresso, no aeroporto, nem estão bem a ver, por causa dos atentados, era polícia por todo o lado!
- Estamos a ver estamos! Estamos a ver que, como eram muitos, a X meteu uns tantos na bagagem e, depois da sua passagem por ali, lá ficou o efectivo policial um pouco mais reduzido!
Respondeu um dos colegas com um desses representantes da lei na sua mão.

27
Fev15

Belas interferências de comunicação

correspondente

Chefes, tive alguns e, quanto à sua competência, passe o enorme “desplante” de um subordinado avaliar o seu chefe, poucos se aproveitaram. Não foi o caso da “chefa” A. Esta era inteligente, competente e tinha de facto mais algum conhecimento que os seus subordinados, conhecimento que não guardava para si e que procurava transmitir aos seus dois mais directos (in) subordinados. E aqui é que estava a dificuldade, o busílis da coisa. Modéstia à parte, creio não ser estúpido de todo, nem eu o era, nem o X, o outro colega o era. Mas menos conversa e passemos à acção. Passemos a contar um episódio “ilustrativo” disso mesmo, das sérias dificuldades de comunicação, entre nós, entre a “chefa” e os seus “exemplares” colaboradores.
- J venha cá e peça ao X para vir também!
Pediu a “chefa” da porta do seu gabinete. Lá fomos os dois. Lá estivemos em reunião os três. Uma reunião aí de uma hora, hora e meia, ou até para aí de duas horas. Uma reunião de rotina. Uma reunião onde a “chefa” nos deu algumas ordens.
Saímos os dois do gabinete e eu, em jeito de “ralhete”, puxando os “galões” de chefe do dito X, disse:
- Então X? Era preciso isso, passares a reunião inteira a abrir a boca, a bocejar o tempo todo? A senhora deve ter ficado frustrada! Está para ali a falar e a ti só te dá para abrir a boca!
- Desculpa! É a tensão! Hoje tenho a minha tensão baixa!
Disse ele.
- Pois, pois! Já lhe ouvi chamar muita coisa!
Repliquei então eu.
O que eu não lhe disse é que a minha admiração de ele estar a abrir a boca, de aparentemente estar meio a dormir, na reunião, não era tanto, por não estar a prestar atenção ao que a nossa “chefa” nos estava a dizer, era mais a minha admiração, o meu espanto, o meu assombro de como era possível ele ser tão “imune” aos encantos da senhora, como era possível, perante aquela beldade, ele quase adormecer? Como podia aquele tipo ficar ensonado quando estava frente-a-frente com aquele “pedaço” de mulher? Incrível!
Claro, escusado será dizer, pelas razões afloradas anteriormente, que eu também não tinha estado lá muito atento na reunião, não tinha prestado muita atenção às ordens transmitidas por ela!
Que grande frustração que devia ser para ela, para a nossa “chefa”, ali, no seu gabinete, nas reuniões, Um subalterno quase que adormecia, Outro, sub-repticiamente (achava ele), media que media, aqueles belos, longos e lisos cabelos louros, aqueles olhos cor de mel, o decote se existisse, enfim, prestava atenção a tudo o que podia e menos ao que devia!

29
Jan15

Favas contadas

correspondente

Antes de me estender por aí fora, pelas linhas de mais esta historieta, deixo aqui a pergunta que me ocorreu agora mesmo e, para a qual não tenho uma resposta, pelo menos imediata, mas cá fica a dúvida “existencial”:
- Porque é que será que em noventa e nove por cento do que escrevo, passe a imprecisão da percentagem, propositadamente exagerada, entra sempre comida?
E esta não foge à regra!
Certo dia, as duas colegas, do trabalho, que normalmente traziam comida de casa, perguntam-nos, a mim e ao meu colega “habitué” na companhia para o almoço, onde é que estávamos a pensar ir almoçar. A pergunta não era despropositada. O nosso “leque” de restaurantes a visitar durante a semana era vasto.
- Por acaso hoje, não vamos muito longe, vamos mesmo ali em frente, hoje têm favas, porquê? Querem vir também?
Sim, ere isso mesmo, nem uma nem outra tinham trazido almoço.
Mas diz uma para a outra:
- Favas? Bom, eu não gosto muito de favas e, como tínhamos pensado em dividir a dose …
- Venha lá, come menos favas, não vai desistir agora, pois não?
Respondeu a outra colega. Preocupada com a poupança? Preocupada em ter que aturar os dois colegas sozinha? Ou preocupada em manter a linha?
Não sabemos. Apenas sabemos que foi um “tiro” ao lado. Não medio as consequências.
O almoço decorreu animado, nada como a companhia das senhoras para isso, para “dar mais vida” ao cinzento dia-a-dia do mundo masculino sem o sexo fraco a “girar á nossa volta”. Que tirada tão machista. O que era suposto ser um elogio mais parece um tique de egocentrismo masculino.
E já perto do final, dessa refeição bem acompanhada, já quando estou quase a pedir a sobremesa, diz o meu colega (pelos vistos mais observador) para uma das colegas:
- Então X, está “à pesca” na travessa aqui do J? Mas olhe que esses ossinhos que aí estão, não são sobras, já foram “roídos” pelo nosso colega e devolvidos do seu prato aí para dentro de novo!
Muito atrapalhada. Apanhada em flagrante:
- Sim? Vieram do prato do J? Não reparei! Mas ainda têm tanta carne agarrada! Pensei que eram sobras!
Estão a ver no que dá dividir uma dose de favas com alguém que não gosta de favas? Uma come a carne e a outra fica com as favas! Ou com os ossinhos do colega!
Que fome!
Naquele momento, não sei não, não sei se eu estava ali bem, mesmo al lado daquela colega faminta! O que me deve ter valido foram também as minhas poucas “carnes” dessa altura!

Mais sobre mim

foto do autor

Sigam-me

Subscrever por e-mail

A subscrição é anónima e gera, no máximo, um e-mail por dia.

Arquivo

  1. 2021
  2. J
  3. F
  4. M
  5. A
  6. M
  7. J
  8. J
  9. A
  10. S
  11. O
  12. N
  13. D
  14. 2020
  15. J
  16. F
  17. M
  18. A
  19. M
  20. J
  21. J
  22. A
  23. S
  24. O
  25. N
  26. D
  27. 2019
  28. J
  29. F
  30. M
  31. A
  32. M
  33. J
  34. J
  35. A
  36. S
  37. O
  38. N
  39. D
  40. 2018
  41. J
  42. F
  43. M
  44. A
  45. M
  46. J
  47. J
  48. A
  49. S
  50. O
  51. N
  52. D
  53. 2017
  54. J
  55. F
  56. M
  57. A
  58. M
  59. J
  60. J
  61. A
  62. S
  63. O
  64. N
  65. D
  66. 2016
  67. J
  68. F
  69. M
  70. A
  71. M
  72. J
  73. J
  74. A
  75. S
  76. O
  77. N
  78. D
  79. 2015
  80. J
  81. F
  82. M
  83. A
  84. M
  85. J
  86. J
  87. A
  88. S
  89. O
  90. N
  91. D
  92. 2014
  93. J
  94. F
  95. M
  96. A
  97. M
  98. J
  99. J
  100. A
  101. S
  102. O
  103. N
  104. D
Em destaque no SAPO Blogs
pub