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Há horas assim

Livro em construção

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Há horas assim

18
Set16

Quem não tem cão caça com gato

correspondente

O miúdo de cidade, aquele que acha que o dinheiro dos pais vem da caixa do multibanco, que acha que o fiambre vem do supermercado mais próximo e, quando vê ao vivo uma cabra, a confunde com um animal selvagem, daqueles mal vislumbrados num ecrã de TV, lá em casa, num qualquer programa emitido, entre os desenhos-animados, deve, volta e meia, não podendo ir mesmo até ao campo, passar por essas quintas, na cidade, preparadas precisamente com esse propósito, o de dar a conhecer as origens das coisas, mais propriamente, neste caso, dos alimentos, bem como, o contacto com a terra e com os animais. Contudo, a natureza é muito imprevisível, nem tudo o que dela mostramos, é o que queremos mostrar.

Um certo dia, numa dessas quintas, onde estagiei, estava eu em frente ao computador, no escritório, num dos raros momentos em que não andava lá por fora, quando uma das “colegas”, uma das colegas que mostra, que acompanha as visitas dos miúdos àquele espaço, entra ali, a rir, depois de se despedir de mais um grupo que acompanhou.

- Nem imaginam o que aconteceu, agora mesmo, quase no final da visita, que embaraço!

Disse ela.

- Deve ser “fresca deve”! Tu e esse riso maroto não enganam ninguém!

Respondeu a X, a minha “parceira”, ali daquele espaço no escritório.

- Vá lá, conta-nos tudo, ao J e a mim

Pediu ela.

E entre risos, ela, a colega que tinha acabado de entrar, lá nos contou aquele episódio, menos próprio para menores.

Ela tinha acabado de mostrar o lago e os patos, ia continuar a mostrar a quinta, já estava de costas para o lago, quando, um miúdo, muito excitado, a apontar, lhe pergunta:

- O que é que o pato preto está a fazer?

- Pato preto? Nem temos nenhum pato preto por aqui! Deve ser o cisne! Pensei eu. E Quando me voltei, o que vi eu? O cisne, o nosso cisne solitário, no meio do lago, em cima de uma pata, em pleno acto sexual! Coitada da pata! Mal podia com o cisne! Ia ao fundo e vinha à superfície! Assim, meio estonteada, alternadamente! Tal como a pata, eu, de repente, perante tal espetáculo, perante aquele espetáculo à frente dos nossos olhos, dos meus e dos olhos esbugalhados dos miúdos, também fiquei meio atrapalhada, de tal modo que por momentos, fiquei sem conseguir explicar o que quer que fosse ao curioso do rapaz!!

Desabafou, ela, ainda sem conseguir conter, as mais que muitas, gargalhadas, pelo meio.

15
Mar14

Um Leão de Quinta, de quintal, ou de trazer por casa

correspondente

Há uns tempos, num certo dia de Primavera, estava eu na minha pausa, depois de almoço, a desfrutar da agradável sombra de uma pérgula, das duas ou três que existem, naquela quinta, numa quinta onde, nessa altura, eu estava a passar uma temporada, a estagiar (um passatempo muito comum, nos últimos tempos, neste país), numa daquelas quintas onde os miúdos vão ver ao vivo, o que é uma galinha, uma cabra, uma vaca, ou então, como nascem as cenouras, as alfaces, os repolhos etc.. Mas como estava eu a contar, estava pois, a minha pessoa, assim, calmamente, a “fazer horas”, para iniciar mais uma árdua tarde de trabalho, quando, ao meu lado, se sentou um “colega”. Aproveitando a companhia, demorei mais um pouco a “estadia” debaixo daquela sombrinha e, ficámos os dois ali, a “cavaquear” um com o outro. E, no meio de uma conversa de circunstância, pergunta-me o meu interlocutor, apontando para um prado que tinha sido, até ali, “habitado”, por um Macho: Agora que o Girassol se foi embora, por acaso, sabe qual é o animal que estão a pensar levar para ali?

O que Eu bem sabia, de antemão, era que o meu “colega”, apesar de ser um bom tipo, na verdade, a sua cabeça, enfim, como dizer isto, sem ser mal interpretado, digamos, a sua cabeça, funcionava, sim, mas funcionava de uma forma, um pouco mais lenta, do que o dito normal. Então, meio a brincar, meio a sério, disse-lhe: O animal que vai para aquele prado, não é nenhum animal dos nossos, dos que já cá estão, é um leão, um leão que vem, directamente, de Alvalade, para ali!

- Um Leão!

Exclamou o atônito “colega”. E disse de imediato: Se o leão tenta fazer mal aos miúdos, já sabe, leva com um pau pelas costas abaixo!

Uns segundos depois, mais calmo, mas ainda preocupado com a logística da coisa, acrescentou, em jeito de pergunta: E o que é que come o Leão? Palha?

E, com estas pertinentes observações/questões, de imediato, o caro “colega” ali me abandonou, possivelmente, para ir conferir os stocks de fardos de palha! 

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