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Há horas assim

Livro em construção

Livro em construção

Há horas assim

20
Ago15

As hortas urbanas de ontem

correspondente

… Voltando às hortas, ou mais propriamente à horta dos meus pais, como é natural a “origem” dos pés de feijão, dos tomateiros ou das couves era “made in traseiras”, mas já quanto às árvores de fruto, umas sim, tinham nascido ao acaso de algum caroço para ali atirado enquanto outras como era o caso da Ginjeira, acho que eram duas, tinham sido uma “herança” da Quinta Grande, uma pequena contribuição, desse mundo que estava gradualmente a desaparecer. Uma pequena contribuição, mas não a única, para essa “viçosa” horta, como a seguir o caro leitor poderá constatar.
A faixa de terreno onde o meu pai, alfaiate de profissão, se quis “armar” em agricultor, tal como o nosso segundo campo de treinos, não carecia de falta de pedregulhos como aliás já sobejamente referimos. Contudo, para além das pedras, eu sei, o incrédulo leitor nem acredita no que acabou de ler: Pedras, ele falou outra vez de pedras! Será que isto nunca mais vai acabar!? Fique o leitor sossegado, vou já encaminhar a narrativa noutro sentido. Como ia dizendo, para além das pedras, o terreno tinha também misturado entulho de obras mas, mesmo assim, não é que nasciam por lá alguns produtos hortícolas? E não é que até eram bons? No entanto, o olho “clínico” para a “coisa”, ou seja para trapos e linhas, do meu pai (e não é que acertou?) disse um dia: Nós havemos de ir à Quinta pedir estrume para a horta… Isto ficava com outro aspecto! E se assim o disse, assim o fez. O “nós havemos de ir”, era comigo, por isso lá fui, não muito entusiasmado, pois estrume, nunca o tinha visto nem cheirado, mas já possuía a informação teórica do que era. Entrámos aos portões e depois de o meu pai ter explicado a um empregado ao que vinha este levou-nos junto das cavalariças ou das pocilgas, ou das duas coisas e apontando para o que parecia ser um monte de palha ofereceu-nos uma saca dizendo para nos servirmos. Junto ao monte estava uma pá e enquanto eu abria a saca e pensava que afinal aquilo não tinha assim tão mau aspecto, o meu pai pegou na pá e zás aí vai uma pazada. Escusado será dizer que o pequeno-almoço só não me veio à boca porque já devia estar quase na hora do almoço, mas que tirou o apetite para esse almoço, lá isso tirou!

06
Ago15

Galináceos ambulantes

correspondente

… Como se pôde constatar através destes pequenos exemplos relatados, tirando um episódio ou outro, como o caso do rebanho das ovelhas, verdadeiramente, o “campo” vinha até nós, mas mais por nosso intermédio do que por sua própria iniciativa. A este propósito poderei acrescentar o caso relacionado com as hortas que alguns dos nossos “citadinos” pais, um pouco mais tarde, se lembraram de fazer bem à frente das suas casas, ocupando parte das “traseiras”. Diga-se de passagem, com grande descaramento, sem nos pedirem autorização… Mas, antes das hortas, até porque é da mesma altura, tenho que falar aqui de uma invenção extraordinária, uma “encomenda” feita pela minha mãe ao pai. De um momento para o outro surgiram as já mencionadas hortinhas e atrás delas veio a criação: galinhas e até os coelhos, mas esta bicharada estava muito exposta aos amigos do alheio, por isso, ou ficava-se a guardar a capoeira durante a noite, coisa pouco viável, ou não se tinha “criação”. Mas afinal havia uma terceira via, uma solução engenhosa: A de trazer as galinhas para dentro de casa durante a noite, pois o “sumiço” era mais nocturno. É aqui que a magnífica “capoeira ambulante” aparece: Um caixote em madeira perfeito, com pés, porta em rede e o mais extraordinário, o pormenor das pegas de alguma panela velha colocadas nos lados pois como é bom de ver aquilo tinha que ser metido todos os dias à noite na nossa marquise e, para tal, nada melhor que as pegas de panela para a transportar!

 

10
Jul15

Os porquinhos da cidade vão ao Campo

correspondente

… Também, naquela altura, não sei bem porquê, a água nas torneiras estava constantemente a faltar e era ver o “citadino” “arregimentar” a família toda lá de casa, distribuir garrafões por todos e toca a ir ali ao lado, ao “campo”, esperar pacientemente a sua vez na longa fila para depois pedir a quem continuava a ter a sua fresquinha água do poço se podia fazer o especial favor de encher aquela meia dúzia de garrafões. Com o tempo e os persistentes cortes no abastecimento o processo evoluiu bastante e os engenhosos e sequiosos “citadinos” de muitas mangueiras fizeram uma só e esta nas horas (e dias) de torneiras sem pinga de água ali vinha através dos campos. E assim o meio rústico lá “matava” a sede e dava umas “banhocas” aos civilizados e urbanos vizinhos.

08
Jul15

Moedinha nº 1

correspondente

… Uma outra forma de este “mundo campestre” nos entrar portas adentro, mas desta vez com a nossa pequena contribuição, era quando no dia da espiga as nossas professoras nos levavam a dar uma volta pelas redondezas da escola. De facto não era preciso ir muito longe para encontrar os “ingredientes” necessários para fazermos o nosso próprio raminho invocativo desse dia: Tínhamos as oliveiras, as papoilas, os malmequeres e outras flores do campo, se é que se apanhava mais alguma variedade pois nestas coisas de “florezinhas” não sou muito entendido. Apenas a própria espiga de trigo, nos dava um pouco mais de trabalho, mas lá se encontrava dando como bons os conhecimentos rurais das senhoras professoras. No entanto, tenho para mim que devo ter levado para casa, muitas das vezes, tudo menos espigas de trigo. Acrescento ainda que hoje percebo a razão pela qual os meus pais nunca passaram da cepa torta: É que a moedinha de um escudo que lá se punha, para dar sorte, prosperidade, acabava por não ficar naquele raminho durante muito tempo… Por vezes a coisa até se tornava extraordinariamente lucrativa, pois não é que não se sabendo onde é que tinha ido parar a primeira moeda alguém lá ia pôr outra!? Não me lembro, verdadeiramente qual o destino que lhes dava, mas sempre deviam dar para trocar na “taberna” por uma pastilha, um rebuçado ou outra qualquer guloseima.

 

28
Mai15

Aquelas palavras sempre simpáticas do Senhor Eusébio

correspondente

… Outra das formas de “invasão” era praticada pelo Sr. Eusébio, um homem com cara de poucos amigos, uma “invasão” praticada mais propriamente pela sua mulher que vinha até aos prédios à procura de compradores para o leite das suas vacas - duas ou três - que pastavam no pequeno terreno onde o casal vivia. Terreno este que enquanto foi habitado pelo Sr. Eusébio - tal era o seu “bom” feitio – que mesmo quando começámos a percorrer aqueles campos todos os nossos limites ficavam nas imediações do Sr. Eusébio e das suas vacas. Não é que não tivéssemos tentado explorar o “sítio”, tentámos até mais de uma vez quase de certeza, mas as recepções “calorosas” do senhor devem-nos ter feito mudar de ideias ou adiar para mais tarde as “descobertas” por ali.

21
Mai15

Pura lã virgem ambulante

correspondente

Capítulo IV
O “campo” que vinha até nós

Os primeiros contactos que tive com esse longínquo “campo”, que aliás, estava logo ali ao lado, não foram fruto de “destemidas” explorações, não senhor! No início, não éramos nós que íamos à procura dele, ele é que vinha até nós. Foram diversas as formas dele nos “visitar”. Não me recordo se estas primeiras “visitas” eram diárias porém, logo pelas manhãs, começava-se a ouvir umas “campainhas, uns sons estranhos parecidos com “més”, cães a ladrar e um assobio de quando em vez, primeiro lá para os lados desse “mundo esquisito” e depois, se não estávamos enganados, bem em frente à nossa porta. O que seria aquilo? Vamos dar uma espreitadela? Com muita “cautela”, para não lhe chamar outra coisa, lá se abria um pouco a porta e ali, bem junto a ela, está um animal “mal cheiroso” ou pelo menos, com o seu encaracolado “casaco de lã” não muito limpo que interrompe o seu “pequeno-almoço” de ervas e fica a olhar para mim, com um ar tão espantado como o meu. Antes de fechar a porta - claro está, por mera precaução - ainda consegui ver que aquele “bicho” não estava sozinho, as traseiras tinham sido “invadidas” pela restante família daqueles animais de ar pouco “amistoso” (pelo menos no que diz respeito ao carneiro). Animais “invasores” que são afinal, vulgarmente conhecidos como um rebanho de ovelhas.

05
Mai15

Aquelas enormes crateras

correspondente

… A inclinação mantinha-se mas agora, às irregularidades já existentes tínhamos acrescentado umas enormes crateras, que por exemplo, um daqueles treinadores muito “estrategas”, com toda a certeza, teria aproveitado para ocultar lá dentro um ponta-de-lança que surgiria, do nada, desde que possuísse para além do equipamento normal de um jogador de futebol, alguns apetrechos de alpinismo, absolutamente necessários para sair da cratera! Passe o exagero, a verdade é que aquilo era óptimo para umas nódoas negras e umas esfoladelas, isto para não falar nos tropeções e pontapés nas “famosas” pedrinhas. Por isso, o nosso campo da bola preferido, claro, era o “recreio” do colégio. Mas o outro, mesmo “intragável”, não é que por mais de uma vez tivemos que o defender dos nossos “inimigos” habituais, com unhas e dentes e à pedrada!? Para isso é que elas lá estavam…as pedras!

29
Abr15

O (baldio) campo da bola

correspondente

… Finalmente acabo por chegar novamente às pedras. Eu sei, o ingénuo leitor já estava com a leve esperança de que as ia deixar sossegadas, mas não vai ser assim, é nesta fase que voltamos ao tema. Provado que está que o primeiro campo de “treinos” não nos satisfazia minimamente, impunha-se a procura de uma segunda opção, que foi rapidamente encontrada. Entre o colégio e a “fronteira” para lá da qual estava o “mundo campestre” existia uma faixa de terreno baldio com dimensões um pouco maiores que as do recreio dos “meninos queques”, apresentando um ligeiro contratempo, contratempo esse que se viria a tornar um “entretêm” igual ou pior que o da “Pedra”. Pelo menos passou a ser um problema a que ciclicamente voltávamos. O contratempo desse campo de “treinos”, era o facto de o terreno ser irregular, inclinado e cheio de pedras. Cá estão elas, as pedras! Mas um terreno embora irregular e inclinado, com algum trabalho pode ficar “direitinho” e quanto às pedras é só tirá-las, não? Foi dito e feito, toca a meter as mãos na massa e devidamente apetrechados, de enxada e picareta - ferramentas “emprestadas” dos nossos pais - aí estávamos nós a esburacar aquilo tudo. Sim, porque como todos devem saber, menos nós, principalmente a picareta, seria um instrumento óptimo para fazer buracos, mas para nivelar um terreno, nem tanto, talvez tivéssemos feito melhor em deixar essa “escavadeira” de lado. E as pedras? Essas pareciam que se multiplicavam, quantas mais tirávamos, mais apareciam. Enfim, para não dar parte fraca, quando não estávamos a “arranjar” esse esplêndido campo de futebol, por vezes, até lá jogávamos!

16
Abr15

Os Arcos

correspondente

… Mas, entretanto, sempre nos podia apetecer um joguinho antes do fecho da escola à tarde, por isso, um dos campos de “treino”, passou a ser os Arcos que davam acesso às traseiras embora não fosse grande alternativa pois num sítio tão pequeno só se podia jogar baliza a baliza, dois de cada lado, ficando alguns de fora impacientes por jogar também, o que atrapalhava o “desempenho” dos craques. Depois era preciso que nenhum carro estivesse estacionado lá debaixo, o que era raro e por último, se os guarda-redes do lado que dava para a rua eram “frangueiros”, ou a bola ia parar ao meio da estrada, ou então, com um bocado de azar ainda acertava em algum carro em movimento. Mas na maior parte do tempo o que acontecia era acertar em alguém que ia a passar ou então deixar a sua marca “indelével” nalgum carro estacionado por ali perto.

14
Abr15

O campo da bola no colégio dos queques

correspondente

… Vamos então aos nossos campos da bola!
Depois de passarmos as manhãs na escola pese embora os já mencionados episódios com a “Pedra”, não nos faltava o “engenho” para ocupar o tempo durante o resto do dia e, aqui que ninguém nos ouve, a estudar e a fazer trabalhos de casa é que não era. Entre inúmeras escolhas a que mais tarde voltarei, tínhamos a bola, mas faltava o campo. Porém, com um “recreio” mesmo ali à mão de semear, a “coisa” parecia fácil de resolver, por isso, com os portões do colégio particular abertos - as aulas nessa escola só acabavam lá para o meio da tarde - como eu ia dizendo, com os portões escancarados a convidarem a “invasão” lá passávamos de bola debaixo do braço defronte das janelas das salas de aula e pouco tempo depois aí estavam os “passa a bola”, seguidos de palavrões e dos “golooos”, gritados bem alto. Enfim, como seria de esperar, a “coisa” não durou muito e ao segundo ou terceiro dia fomos corridos e os portões passaram a estar fechados. Que abuso! Então aquele espaço não estava dentro dos nossos “domínios”? Tínhamos que encontrar uma alternativa, pelo menos, até à hora do fecho da escola, a partir do qual era só saltar a rede e desfrutar do nosso território” em pleno.

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