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Há horas assim

Livro em construção

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Há horas assim

02
Abr14

Uma grande pescaria de coisa nenhuma

correspondente

São 21 horas e poucos minutos e, aí vão os dois lobos-do-mar rumo a uma pescaria em grande. Os pneus da sua carripana devoram o asfalto da Marginal, passam o Guincho e, um pouco depois, o olho clínico, de um deles, para as coisas da pesca, descobre o local ideal para iniciarem a faina. Imobilizam a viatura e, aos tropeções, pois, a luz fraca das suas lanternas, parece não os querer ajudar, contudo, de tropeção em tropeção, de palavrão em palavrão, lá acabam por chegar até esse “esplêndido” posto, junto ao mar, de canas em punho, prontas a retirar desse profundo Oceano, este mundo e o outro (no que diz respeito a peixe, claro está). De imediato, dão inicio aos morosos preparativos, necessários e habituais nas artes da pesca. Finalmente, colocados, com muito esmero, em cada cana-de-pesca, o isco, as boias e os chumbos (umas enormes pirâmides com muitas e muitas gramas), um dos pescadores, o portador de uma bela cana de bambu, de não sei quantos metros, incentivado pelos olhares curiosos de outros pescadores que por ali andavam, numa pose de verdadeiro artista, faz um lançamento. E que lançamento, um lançamento perfeito. Ambos os “artistas” ficam deslumbrados, a ver aquele fio de nylon a desenrolar-se e, a desenrolar-se cada vez mais do carreto (impressionante, como foi tão longe e tão profundo). No entanto, curioso, de repente, o fio acaba-se de desenrolar do carreto e, em grande velocidade, como um cometa, lá se foi juntar às minhocas, às boias e aos enormes chumbos, nas profundezas daquelas águas escuras. Alguém se tinha esquecido de atar a ponta do fio ao carreto! Perante os risos contidos dos espectadores, a pescaria dos dois “sócios” acabou pouco depois e, de balde vazio, a dar a dar, lá regressaram os dois, muito desgostosos por não terem pescado nem um carapauzito. Que lástima, pois, tirando este episódio (sem qualquer importância), tudo tinha sido preparado ao pormenor. Não sabiam se a maré estava a vazar ou a encher, não sabiam o tipo de isco a utilizar, nem tão pouco as espécies de peixe existentes naquela zona, nem qual a melhor forma de pescar por ali. Como se pode ver, não fica dúvida nenhuma, perante o enunciado, obviamente, de que estavam reunidas todas as condições para uma grande pescaria. Que grande azar!

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