Uma questão de meiguice
Há dias, ao ver uma luta, entre o Homem e a máquina, veio-me à memória, outra.
A de há poucos dias, foi entre um homem e a máquina do tabaco. Esta devolvia a nota sistematicamente e, do tão ansiado maço de tabaco é que nada. Talvez a máquina tivesse a pensar na saúde do homem. Finalmente, o vício, a persistência e, um pouco mais de suavidade, no apertar do botão, resolveram a coisa.
Na outra luta, na que me veio à memória, o desfecho, para desespero do outro protagonista, de um outro homem, foi mais favorável à outra máquina.
Eu e um amigo, há uns anos, lá íamos a caminho do nosso cafezinho habitual, quando, esse meu amigo, aponta para o outro lado da rua a perguntar:
- Aquele ali, aquele que parece estar a dar murros naquela máquina, não é o X?
Era o X sim senhora. Um conhecido nosso. E esta máquina, era para satisfazer outro tipo de vício, um vício bom, se lhe quisermos assim chamar, era uma de preservativos.
Contudo, não colaborou, de jeito nenhum.
Ficámos a observar aquilo até ao final. A observar é como quem diz, talvez a gozar, seja o termo mais acertado.
A luta foi aguerrida. Um tinha uma urgência daquelas e, a outra, a máquina, a desgraçada, impávida e serena, nem devolvia a moeda nem largava os preciosos e tão desejados preservativos. E levou de vencida o Homem.
Algo, de muito muito urgente, naquela altura, deve ter sido adiado e, tudo por causa de uma máquina não colaborativa.
Ou não.
Se calhar, anda por aí, o fruto, do não adiamento.
Nota de rodapé: Este meu amigo, não o X, o companheiro de muitos cafés, hoje está a lutar pela vida, faz parte da estatísticas, dos números, dos que estão numa unidade de cuidados intensivos, consequência desta pandemia mas, como espectador de mais uma luta, aqui ficam os meus desejos de melhoras. Acredito que ainda vamos, por esta vida fora, assistir a muitas lutas, mas que sejam destas, lá atrás relatadas, lutas mais inofensivas, apesar de tudo.
